
BRASIL – Povo indígena Amanayé denuncia extração ilegal de madeira em sua reserva e cobram ação do Estado para proteger seus direitos.
O Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública pela demarcação do território reservado aos indígenas há 79 anos, destacando a urgência em proteger a região e garantir a segurança e sustentabilidade do povo Amanayé. O líder indígena Ronaldo Amanayé denunciou que, além dos desmatamentos, os indígenas enfrentam o uso de agrotóxicos, poluição das águas e ameaças por parte dos invasores, sem contar as dificuldades de acesso às políticas públicas essenciais.
Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelou que a reserva Amanayé foi uma das mais afetadas pela extração ilegal de madeira nos últimos anos, com quase 3 mil hectares desmatados. O procurador da República responsável pelo caso, Sadi Machado, ressaltou a importância de proteger o território e assegurar os direitos dos indígenas, que enfrentam a dispersão devido às ações ilegais de particulares na região.
Atualmente, a reserva abriga apenas 26 famílias, totalizando 125 pessoas, em comparação com a população de 244 indígenas registrada no Censo de 2022. Muitos indígenas têm migrado para as cidades em busca de trabalho devido aos conflitos e à dificuldade de praticar o manejo sustentável na região. A ação civil movida pelo Ministério Público Federal busca a identificação, delimitação e demarcação imediata da área, bem como uma reparação financeira de R$ 3 milhões para investimento em políticas públicas indígenas.
A reserva Amanayé foi reconhecida pela Funai em 1994, porém, o processo de demarcação não foi concluído devido a invasões por não indígenas e crimes ambientais cometidos na área. Diante da falta de recursos e pessoal, a Funai não deu continuidade ao estudo, o que tem gerado preocupação e indignação entre os indígenas que vivem na região. A reportagem da imprensa aguarda posicionamento da Funai sobre o caso para esclarecer os próximos passos em relação à proteção da reserva Amanayé e garantir a segurança e os direitos das comunidades indígenas.









