Trocas partidárias: 34% dos prefeitos aptos à reeleição mudam de sigla visando eleições municipais, aponta estudo da CNM

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 15 de agosto, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, apresentou os resultados do estudo “A intenção de reeleição nas prefeituras em 2024”. Segundo a pesquisa, mais de um terço dos prefeitos elegíveis para a reeleição mudou de partido com o objetivo de concorrer nas eleições municipais deste ano.

O estudo, que entrevistou 80% dos prefeitos aptos à reeleição, revelou que 34% deles trocaram de sigla visando uma melhor posição na disputa eleitoral. Além disso, a pesquisa abordou as estratégias de campanha mais valorizadas pelos gestores, destacando a importância das redes sociais pessoais, o apoio de autoridades estaduais e federais, e o contato direto com os eleitores.

Durante a apresentação dos resultados, Ziulkoski ressaltou que a troca de partido pode abrir caminho para novos prefeitos, inclusive aqueles provenientes da iniciativa privada. No entanto, ele alertou para os possíveis impactos nas políticas públicas dos municípios, citando que desde 2000, cerca de 62% dos prefeitos que poderiam se reeleger buscaram um novo mandato, com 72% deles sendo reeleitos.

Dos mais de 4,5 mil prefeitos que participaram da pesquisa, a CNM focou nos 2.753 que têm possibilidade de reeleição. Desses, 88% manifestaram intenção de concorrer novamente, enquanto 7,8% afirmaram que não disputarão as eleições por diversos motivos, incluindo a falta de interesse. A região Centro-Oeste lidera em intenção de reeleição, com 91% dos prefeitos planejando se candidatar, seguida pelo Norte, com 98%. Já o Sul do país apresentou o menor índice, com 80% dos prefeitos demonstrando intenção de reeleição.

O estudo também trouxe à tona as trocas partidárias entre os prefeitos elegíveis. 58,7% dos que pretendem disputar a reeleição estão filiados a apenas quatro partidos, sendo o PSD o destino mais procurado. Outros partidos como MDB, Republicanos, União Brasil, PT e PL também registraram crescimento com a entrada de prefeitos em busca de um segundo mandato.

Dentre as dificuldades apontadas, Ziulkoski observou que os governadores estaduais têm exercido mais influência sobre os partidos do que o governo federal, o que tem impactado diretamente as filiações e estratégias eleitorais em nível local. Apesar das perdas, algumas legendas como o União Brasil ainda conseguiram um saldo positivo de filiações, mesmo após perder prefeitos para outras siglas.

Com as migrações partidárias, quatro partidos concentram a maioria dos prefeitos que pretendem concorrer à reeleição: PSD, MDB, PP e União Brasil. A expectativa para 2024 é de que a renovação traga desafios para os novos prefeitos, podendo impactar suas gestões até que se ajustem à nova realidade. Ziulkoski concluiu afirmando que muitos serão eleitos, mas enfrentarão um cenário desafiador, o que poderá impactar as políticas públicas municipais.