BRASIL – Ministério da Saúde confirma primeiro caso de bebê nascido com anomalias congênitas associadas à febre do Oropouche no Acre.

O Ministério da Saúde divulgou hoje, em coletiva de imprensa, um caso preocupante de um bebê nascido com anomalias congênitas associadas à transmissão vertical da febre do Oropouche, no estado do Acre. O recém-nascido, infelizmente, veio a óbito na semana passada, aos 47 dias de vida. A mãe do bebê, uma mulher de 33 anos, apresentou erupções cutâneas e febre durante o segundo mês de gravidez, o que levantou suspeitas sobre a possível infecção pelo vírus Oropouche.

Após exames laboratoriais feitos no pós-parto, foi confirmado que tanto a mãe quanto o bebê estavam infectados pelo vírus. A análise realizada nos laboratórios do Instituto Evandro Chagas, em Belém, mostrou a presença do material genético do vírus em diferentes tecidos do bebê, que nasceu com microcefalia, malformações articulares e outras anomalias congênitas.

O Ministério da Saúde ressaltou a importância de uma investigação mais detalhada sobre a correlação direta da contaminação vertical por febre do Oropouche com as anomalias congênitas no bebê. O governo federal e a Secretaria de Saúde do Acre estão acompanhando de perto o caso e promoverão um seminário científico nacional sobre o tema na próxima semana.

Além disso, uma nota técnica atualizada sobre a doença será enviada aos estados e municípios, com orientações sobre métodos de análise laboratorial, vigilância e assistência em saúde para gestantes e recém-nascidos apresentando sintomas compatíveis com a infecção pelo vírus Oropouche. Medidas de prevenção, como o uso de repelentes, roupas compridas e sapatos fechados, também serão reforçadas.

A febre do Oropouche é transmitida pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, e os cuidados com a higiene do ambiente são essenciais para evitar a proliferação do mosquito. Até o momento, foram registrados 7.497 casos da doença em 23 estados brasileiros, com a maioria dos casos concentrados no Amazonas e em Rondônia. O Ministério da Saúde também está elaborando um Plano Nacional de Enfrentamento às Arboviroses, incluindo a febre do Oropouche, para combater a disseminação da doença e reduzir o número de casos e óbitos relacionados a ela.