BRASIL – Ataque armado deixa indígenas Guarani Kaiowá feridos em retomada na Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, em Douradina (MS)

No último sábado (3), um grupo armado atacou brutalmente indígenas Guarani Kaiowá que estavam em retomadas na Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada em Douradina, no estado de Mato Grosso do Sul. De acordo com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos dez pessoas foram feridas, sendo que duas delas se encontram em estado grave. O ataque aconteceu logo após a saída da Força Nacional do território, o que levanta a suspeita de conivência com o crime por parte da instituição.

Os relatos do Cimi são perturbadores: jagunços armados dispararam com munição letal e balas de borracha a partir de caminhonetes, atingindo diversos indígenas, inclusive um que foi baleado na cabeça e outro no pescoço. Ambos foram encaminhados para o Hospital da Vida, em Dourados, para receber atendimento médico urgente.

Além disso, há acusações por parte dos indígenas de que a Força Nacional estaria envolvida no ataque. Um relato afirma que um agente teria dito aos indígenas para deixarem o local imediatamente, ameaçando suas vidas. A falta de explicação para a retirada da Força Nacional do território e a coincidência temporal do ataque geraram questionamentos e revolta entre os Guarani Kaiowá e suas lideranças.

Diante da gravidade da situação, o Ministério dos Povos Indígenas enviou uma equipe da pasta e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para prestar auxílio aos Guarani Kaiowá. O apoio do Ministério Público Federal e da Secretaria de Saúde Indígena também foi solicitado para lidar com os feridos e investigar o caso.

O secretário executivo do MPI, Eloy Terena, tomou medidas urgentes, acionando o Ministério da Justiça e Segurança Pública para garantir a presença da Força Nacional no território e solicitando uma investigação imediata por parte da Polícia Federal. A violência contra os indígenas é inaceitável e exige uma resposta rápida e eficaz das autoridades competentes.

Neste contexto tenso, é imprescindível que a sociedade civil e as instituições públicas se unam para proteger os direitos e a vida dos povos indígenas, que continuam sendo alvo de violência e intolerância em pleno século XXI. A busca por justiça e segurança para os Guarani Kaiowá é urgente e deve ser prioridade para o poder público e para toda a sociedade brasileira.