BRASIL – Estado brasileiro pede desculpas à família de defensor dos direitos humanos assassinado há 42 anos em Marabá, Pará, após condenação internacional.

O Brasil, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, emitiu um pedido oficial de desculpas à família de Gabriel Sales Pimenta, defensor dos direitos humanos e advogado de trabalhadores rurais assassinado há 42 anos em Marabá, no Pará. Este gesto ocorreu após o país ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pela impunidade dos responsáveis pela morte de Gabriel, bem como pela falta de investigação de crimes contra defensores de direitos humanos.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu a responsabilidade do Estado no caso de Gabriel em uma cerimônia realizada no Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora, Minas Gerais. O ministro Silvio Almeida fez um pedido formal de desculpas à família do defensor, ressaltando a coragem e a importância do trabalho de Gabriel na defesa dos direitos humanos dos trabalhadores rurais.

Durante o evento, o presidente do Instituto Gabriel Pimenta de Direitos Humanos, Rafael Sales Pimenta, irmão da vítima, destacou a relevância do pedido público de desculpas, mas também ressaltou a continuidade da violência e impunidade no país. Ele pediu a união dos movimentos sociais para enfrentar os violadores de direitos humanos e cobrou ações concretas das autoridades para evitar a repetição de casos como o de seu irmão.

Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que está implementando outras medidas em cumprimento à sentença da Corte IDH, como o pagamento de indenizações, a criação de grupos de trabalho para investigar a impunidade no caso de Gabriel e a adoção de ações para garantir a não repetição de violações de direitos humanos.

O evento contou com a presença de autoridades como o assessor especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do MDHC, o procurador-geral da União e o secretário de Igualdade Racial de Direitos Humanos do Pará. As ações anunciadas pelo governo visam reconhecer as falhas do passado e caminhar em direção a uma política de memória, verdade e justiça mais efetiva no Brasil.