
BRASIL – Agentes da Abin monitoraram ilegalmente jornalistas durante governo de Bolsonaro, revela investigação da PF, denunciam entidades representativas.
De acordo com uma investigação da Polícia Federal (PF), os agentes da Abin utilizaram ferramentas de espionagem adquiridas pelo órgão para monitorar os movimentos de autoridades do Judiciário, do Legislativo, da Receita Federal e também personalidades públicas, entre elas jornalistas. Essas atividades ilegais teriam ocorrido durante a gestão de Jair Bolsonaro, o que levantou ainda mais críticas por parte da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Para a Fenaj, essa ação da chamada Abin Paralela foi ilegal e criminosa, constituindo um ataque à liberdade de imprensa. Segundo a entidade, a utilização abusiva de serviços de espionagem foi uma clara tentativa do governo Bolsonaro de violar o livre exercício do jornalismo e o sigilo da fonte, colocando em risco a credibilidade e a segurança dos profissionais da área.
A situação provocou indignação também na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que repudiou veementemente os atos cometidos pela Abin Paralela, sob o comando do delegado Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro. A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI considerou inaceitável o uso de softwares federais para espionar e monitorar jornalistas, caracterizando tal comportamento como uma afronta à privacidade e um atentado ao Estado Democrático de Direito.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, em conjunto com a ABI e a Fenaj, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a divulgação dos nomes dos jornalistas que foram ilegalmente espionados pela Abin Paralela. O presidente do Sindicato, Thiago Tanji, ressaltou a importância de esclarecer essa situação e garantir o direito constitucional ao sigilo da fonte no exercício jornalístico, bem como o direito à privacidade de todos os cidadãos brasileiros.
Em meio a essa controvérsia, jornalistas como Mônica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista foram citados como alvos do monitoramento. Em entrevista, Mônica Bergamo expressou surpresa ao descobrir que seu nome estava entre os monitorados, classificando a situação como abjeta e destacando a estranheza de ter seu trabalho e conversas monitorados por um órgão do Estado.
Diante dos impactos dessa revelação, a sociedade brasileira se vê diante de um desafio fundamental: a defesa da liberdade de imprensa, da privacidade dos cidadãos e do livre exercício do jornalismo em um ambiente democrático. É essencial que tais práticas ilegais sejam investigadas e que medidas sejam tomadas para garantir a proteção dos profissionais da imprensa e a preservação dos pilares democráticos que sustentam o país.









