BRASIL – Concurso internacional selecionará arquiteto negro para projeto do Centro Cultural Rio-África na Pequena África do Rio de Janeiro.

O Centro Cultural Rio-África, projeto que tem como objetivo reunir fragmentos culturais e físicos da presença negra no Rio de Janeiro e no Brasil, terá sua arquitetura definida por um profissional negro. A ideia foi promovida por um concurso de arquitetura realizado pela prefeitura do Rio e pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, que busca selecionar, em uma concorrência internacional, um arquiteto negro para elaborar o projeto do novo centro cultural.

Localizado na região conhecida como Pequena África, o Centro Cultural Rio-África será construído em uma área que antes abrigava uma maternidade, próximo ao Cais do Valongo, principal porta de entrada de africanos escravizados nas Américas nos séculos 18 e 19. O projeto vencedor irá valorizar a arte e cultura afro-brasileiras, abordando temas como ancestralidade, herança da diáspora africana e personagens históricos da região.

O concurso prevê premiação para os três melhores trabalhos, com o primeiro colocado recebendo um prêmio de R$ 60 mil e a oportunidade de executar o projeto. O segundo e terceiro lugares serão premiados com R$ 30 mil e R$ 15 mil, respectivamente. O investimento total na construção do Centro Cultural Rio-África é de R$ 30 milhões, sendo que a empresa responsável pelo projeto arquitetônico, Cury Construtora e Incorporadora, arcará com um custo de R$ 3 milhões.

A iniciativa de direcionar a concorrência exclusivamente para arquitetos negros visa promover a representatividade e o pertencimento desses profissionais em áreas historicamente dominadas por indivíduos brancos. Segundo o coordenador do concurso, Marllon Sevilha, a participação de arquitetos negros na elaboração do projeto pode amplificar e mobilizar as representações culturais afro-brasileiras de forma mais sensível e respeitosa.

Com a inauguração prevista para o dia 29 de outubro, o Centro Cultural Rio-África promete ser um importante marco na valorização da cultura afro-brasileira, destacando a importância da comunidade negra na construção da identidade carioca e brasileira. Além disso, a iniciativa busca combater a desigualdade racial no país, oferecendo um espaço para a exposição da história e cultura afrodescendente, e, assim, contribuindo para a correção das injustiças históricas.