BRASIL – Reintegração de posse de Casa Amarela, espaço cultural ocupado em São Paulo, gera protestos e adiamentos na desocupação.

Um histórico casarão localizado no centro da capital paulista, conhecido como Casa Amarela e ocupado por coletivos culturais desde 2014, está prestes a passar por um processo de reintegração de posse na próxima segunda-feira (10). Situado na Rua da Consolação, o imóvel faz parte de um conjunto de três casarões tombados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

O Coletivo Casa Amarela Quilombo Afroguarany tem desempenhado ao longo dos anos diversas atividades artísticas e culturais no espaço, como aulas de capoeira, ioga e apresentações de grupos de cultura popular. Em uma carta aberta divulgada nas redes sociais, a associação que ocupa o espaço ressalta a importância da ocupação, descrevendo-a como um farol de esperança e cultura, democratizando um espaço que estava abandonado há mais de uma década e abrigando manifestações artísticas com foco na cultura afrobrasileira e indígena.

O imóvel originalmente pertencia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi repassado à prefeitura de São Paulo em 2017. No mesmo ano, a municipalidade entrou com uma ação solicitando a reintegração de posse do imóvel, que foi deferida pelo juiz José Eduardo Rocha, da 14ª Vara de Fazenda Pública, em 19 de junho.

Inicialmente, a desocupação estava programada para a última segunda-feira (24), porém, após negociações, foi adiada por uma semana. Na tarde desta quarta-feira (26), os ocupantes começaram a retirar seus pertences e mobiliário do local, enquanto a prefeitura informou, por meio de nota, que a Secretaria Municipal de Cultura está trabalhando em um projeto de restauro do casarão em parceria com o Departamento de Patrimônio Histórico.

A situação da Casa Amarela desperta debates sobre a preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade, a importância dos espaços ocupados por coletivos artísticos e a necessidade de garantir um equilíbrio entre a conservação do imóvel e as atividades culturais ali desenvolvidas. O desfecho desse impasse continua sendo aguardado com atenção pela comunidade artística e cultural de São Paulo.