
BRASIL – Redução de 29,7% no número de barragens de mineração com método a montante após tragédia em Brumadinho, aponta levantamento do Ibram.
A tragédia de Brumadinho, causada pelo rompimento de uma barragem da Vale construída pelo método de alteamento a montante, resultou na perda de 272 vidas e em sérios impactos ambientais. Em resposta a esse desastre, leis foram aprovadas tanto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) quanto no Congresso Nacional, proibindo a construção desse tipo de estrutura. Como resultado, as mineradoras foram obrigadas a iniciar um processo de eliminação das barragens a montante.
Segundo os dados apresentados pelo Ibram, baseados nas informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), o número de barragens a montante no país passou de 74 em fevereiro de 2019 para 52 em abril deste ano, indicando uma queda de 22 estruturas. O gráfico que acompanha os dados mostra uma redução constante nesse período, com uma exceção entre agosto e dezembro de 2022, quando houve um aumento temporário de barragens registradas.
O processo de eliminação das barragens a montante, chamado de descaracterização, é complexo e inovador. As mineradoras estão investindo mais de R$ 30 bilhões nesse processo e buscando alternativas tecnológicas, como a filtragem e o empilhamento a seco dos rejeitos, além de seu aproveitamento na construção civil.
Além disso, medidas de fiscalização e segurança foram intensificadas após a tragédia de Brumadinho. A ANM e outros órgãos de controle realizaram monitoramento constante das barragens, e aquelas que perderam suas declarações de estabilidade foram classificadas em níveis de emergência, com evacuação de áreas de risco. Atualmente, três barragens estão no nível máximo de emergência (nível 3) em Minas Gerais, enquanto cinco estão no nível 2 e 59 no nível 1.
O processo de eliminação das barragens a montante no Brasil é considerado inédito no mundo e um desafio para a engenharia do país. A expectativa é que até 2027, aproximadamente 90% das barragens desse tipo sejam eliminadas. A segurança e a transparência das informações sobre as barragens também são prioridades, com o monitoramento constante e a disponibilidade de dados por meio de aplicativos como o Prox, desenvolvido em parceria com a Cemig.
Em resumo, o Brasil está passando por um importante processo de eliminação das barragens de mineração a montante, em um esforço conjunto das mineradoras, órgãos reguladores e autoridades para garantir maior segurança e evitar novas tragédias como a de Brumadinho.









