
BRASIL – Demora na justiça para punir assassinos de jornalista e indigenista gera críticas de ONGs e mobiliza comoção internacional
Passados dois anos desde a morte de Dom e Bruno, a Coalizão em Defesa do Jornalismo divulgou um documento denunciando a lentidão nas investigações e na punição dos responsáveis pelo crime. A falta de informações claras sobre o caso e a fragilidade na linha investigativa levantam preocupações sobre a eficácia do processo judicial em garantir a responsabilização dos envolvidos.
Bruno e Dom foram vistos pela última vez em Atalaia do Norte, onde planejavam uma viagem pela região próxima à Terra Indígena Vale do Javari, lar de povos isolados e alvo de interesses diversos. O jornalista britânico pretendia escrever um livro-reportagem sobre a preservação da Amazônia, enquanto o indigenista Bruno já havia se desligado da Funai devido a divergências políticas.
O Ministério Público Federal denunciou cinco suspeitos pelo duplo homicídio qualificado e ocultação dos corpos, mas o julgamento dos acusados ainda não foi marcado. A demora na justiça é vista como um reflexo das violações recorrentes dos direitos humanos na região, onde jornalistas e comunicadores enfrentam um ambiente de medo e autocensura.
A criação de medidas cautelares pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos visava proteger os defensores dos direitos humanos e jornalistas atuantes na região da Amazônia, mas a implementação efetiva dessas medidas tem sido lenta e insuficiente. A falta de proteção para os envolvidos no caso de Bruno e Dom e a ausência de medidas concretas para garantir a continuidade de seus trabalhos mostra a fragilidade do sistema de segurança e justiça no Brasil.
Diante desse cenário, a sociedade civil e as organizações de defesa dos direitos humanos continuam pressionando o governo a agir com mais rigor e eficácia na proteção daqueles que arriscam suas vidas em defesa da Amazônia e de seus habitantes. O desfecho do caso de Bruno e Dom não representa apenas a busca por justiça, mas também a esperança por mudanças significativas para garantir um ambiente seguro e democrático para os comunicadores e ativistas na região.









