BRASIL – Alesp aprova criação de escolas cívico-militares em sessão tumultuada com protestos e prisões de manifestantes.

Na última terça-feira (21), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, em uma sessão marcada por protestos e prisões, a criação de escolas cívico-militares. O projeto, de autoria do governo Tarcísio de Freitas, recebeu 54 votos favoráveis e 31 contrários, em uma votação que dividiu opiniões e gerou polêmica.

Durante a sessão, manifestantes que se opunham ao projeto foram reprimidos pela Polícia Militar, resultando na prisão de oito pessoas. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), dois menores foram liberados no mesmo dia, enquanto os adultos foram encaminhados para uma audiência de custódia no dia seguinte e posteriormente liberados.

Entidades estudantis como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (Anpg) se manifestaram pedindo a liberação dos presos e criticando a atuação da Polícia Militar, que teria utilizado violência física e gás lacrimogêneo para conter os manifestantes.

O projeto aprovado pela Alesp propõe a implementação de escolas com gestão compartilhada entre corporações militares e secretarias estaduais ou municipais de educação. De acordo com a proposta, as corporações seriam responsáveis pela administração e disciplina, enquanto as secretarias cuidariam da parte pedagógica.

A justificativa para a criação dessas escolas é a busca pela melhoria da qualidade de ensino, medida pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, o projeto prevê a inserção de atividades cívicas e de cidadania no currículo, bem como atividades extracurriculares conduzidas pela Secretaria de Segurança Pública.

No entanto, críticos do projeto, como a professora Catarina de Almeida Santos, da Universidade de Brasília, questionam a validade da militarização das escolas, argumentando que profissionais da segurança pública ou militar não possuem formação pedagógica adequada para lidar com alunos e que princípios como obediência e hierarquia não se aplicam ao ambiente educacional.

A discussão sobre a implementação de escolas cívico-militares continua gerando controvérsias e dividindo opiniões, com diferentes pontos de vista sobre os reais benefícios e desvantagens desse modelo de ensino.À medida que essas escolas começam a ser implementadas, é provável que surjam novos debates e questionamentos sobre seu impacto na educação e na formação dos estudantes.