
BRASIL – Professora da rede pública de Maricá supera desafios e realiza sonho de ser mãe através da reprodução assistida: uma história de amor e resiliência.
Sem hesitar, Marcele acolheu a criança em sua vida e em seu coração, cuidando dele com todo o amor e dedicação. Por um ano, foi como se o menino fosse seu próprio filho, até que a mãe decidiu levá-lo de volta, pois estava de mudança e queria estar com seu filho. Essa experiência deixou em Marcele e sua companheira, Renata, um grande vazio e a vontade de formar uma família.
Diante da impossibilidade biológica de terem filhos, Marcele e Renata decidiram buscar alternativas, até que encontraram uma clínica especializada em fertilização in vitro, que oferecia uma consulta gratuita em comemoração ao Dia das Mães. Animadas com as possibilidades apresentadas, o casal juntou esforços e recursos para realizar o tratamento.
Após a fertilização in vitro, Marcele engravidou e deu à luz a Théo, que hoje tem 9 anos. Mesmo com a separação do casal quando o menino tinha 3 anos, Marcele e Renata mantiveram uma relação de amizade e compartilham a guarda do filho com muito amor e cuidado.
A história de Marcele e Renata reflete as conquistas e avanços na área da reprodução assistida, que tem possibilitado a realização do sonho da maternidade para casais homoafetivos. O reconhecimento da união estável homoafetiva como entidade familiar pelo STF e a garantia do direito à reprodução assistida pelo CFM têm aberto portas para que essas famílias sejam reconhecidas e respeitadas em sua plenitude.
A diretora médica da Clínica Fertipraxis Centro de Reprodução Humana, Maria do Carmo Borges, enfatiza a importância da divulgação dos métodos de reprodução assistida para combater o preconceito e promover a inclusão dessas famílias na sociedade. Segundo ela, a busca por tratamentos de reprodução assistida por casais homoafetivos tem crescido significativamente, representando entre 25% e 30% dos atendimentos na clínica.
A fertilização in vitro, a inseminação intrauterina e o útero de substituição são algumas das alternativas disponíveis para casais formados por mulheres que desejam ter filhos biológicos. Maria do Carmo destaca a importância de orientação e acompanhamento médico durante todo o processo, garantindo que todos os envolvidos estejam seguros e bem informados sobre as diferentes etapas do tratamento e suas possíveis consequências.
No Brasil, a barriga solidária é uma prática permitida entre casais homoafetivos femininos, desde que a gestante não tenha vínculo financeiro com o casal e o óvulo utilizado seja de uma doadora anônima. Já para casais homoafetivos masculinos, a situação é mais delicada, pois a legislação brasileira ainda não permite o aluguel do útero de uma mulher para gestação.
Diante desse cenário, muitos casais de homens têm buscado alternativas no exterior para concretizar o sonho da paternidade. A luta por igualdade e reconhecimento das famílias homoafetivas continua, mas histórias como a de Marcele e Renata mostram que o amor e a dedicação são capazes de superar qualquer obstáculo, transformando desafios em vitórias e sonhos em realidade.









