BRASIL – “Grupo Tortura Nunca Mais homenageia defensores dos direitos humanos em evento histórico na FND/UFRJ em meio aos 60 anos da ditadura militar”

Nesta segunda-feira (1), o Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, realizou a entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. O movimento, criado em 1985 com o objetivo de combater a violência perpetrada pelo Estado, destacou a importância deste evento em meio às comemorações e reflexões sobre os 60 anos da implantação da ditadura militar no Brasil.

Durante a cerimônia, diversos homenageados foram reconhecidos por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da democracia. Entre eles, Norberto Nehring, membro da Ação Libertadora Nacional, que foi torturado e assassinado em 1970. Sua filha, Marta Nehring, recebeu a medalha em nome da família e reforçou o desejo de buscar a verdade sobre a morte de seu pai.

Outra homenageada foi Rose Michele Rodrigues, que representou sua tia, Ranúsia Alves Rodrigues, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, desaparecida durante a ditadura. Rose ressaltou a importância de manter viva a memória dos lutadores que foram perseguidos e mortos pelo regime autoritário.

Além disso, os quilombolas de Sapê do Norte, no Espírito Santo, foram homenageados como forma de dar visibilidade à sua luta pela terra e pela preservação de suas tradições ancestrais. Olindina Serafim, professora quilombola, destacou os desafios enfrentados pela comunidade, especialmente após o golpe de 1964.

O Grupo Tortura Nunca Mais também reconheceu o trabalho do grupo argentino Historias Desobedientes, formado por familiares de militares e civis que foram responsáveis pela ditadura militar na Argentina. Eles se mobilizam para denunciar os crimes cometidos no período e repudiar as ações de seus antepassados.

Ao longo da noite, outros homenageados foram destacados, como o casal Maria Criseide da Silva e Wellington Marcelino Romana, o movimento BDS e Stop the Wall, o cantor e compositor Gonzaguinha, o político Leonel Moura Brizola, e o pastor Mozart Noronha, membro da Ação Popular.

A Medalha Chico Mendes de Resistência, em sua 36ª edição, reforça a importância de preservar a memória e continuar a luta por justiça e democracia. A data do evento, 1º de abril, marca a resistência contra o golpe de 1964, em um debate político sobre o momento exato em que a democracia foi ameaçada no Brasil.