
BRASIL – Chuvas causam alagamentos e danos em canteiro de obras arqueológicas do metrô em São Paulo, impactando história do Quilombo Saracura.
O Movimento Mobiliza Saracura Vai-Vai, que defende a preservação da história da população negra na região, solicitou a intervenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para conter os danos causados pela inundação no local. Além disso, um duto rompido gerou erosão na Rua Paim, onde outras obras do metrô estão em andamento, resultando na destruição de parte da calçada e no arrastamento de dois carros.
Em fevereiro do ano passado, o Iphan pediu a suspensão dos trabalhos arqueológicos devido às chuvas, exigindo que a concessionária responsável, a Linha Uni, apresentasse documentos e laudos de segurança no canteiro. Após uma série de exigências, os resgates arqueológicos foram retomados somente em julho.
Durante as escavações, foram encontrados aproximadamente 7,1 mil objetos, incluindo fragmentos de cerâmica, louça, pedaços de couro, vidro, dentes de animais e vestígios de tecido, a maioria datada do século 20. Destacam-se um cachimbo cerâmico com alto-relevo, possivelmente usado por populações afro-brasileiras, e uma panela com cabo, suspeita de ter sido utilizada em rituais.
O sítio arqueológico foi descoberto em 2022, após o início das obras da Estação Saracura/14 Bis, que desalojaram a Escola de Samba Vai-Vai, fundada por descendentes do Quilombo Saracura. O movimento Saracura Vai-Vai pede a revisão do licenciamento das obras, enquanto o Ministério Público Federal investiga a forma como as autorizações foram concedidas.
A Linha Uni, responsável pelas obras, ainda não se pronunciou sobre o ocorrido. A concessionária tem o grupo espanhol Acciona como principal acionista, além de investidores franceses como o banco Société Générale e o fundo Stoa. A situação do canteiro de obras segue sob investigação e monitoramento.









