
BRASIL – Cacique Merong Kamakã Mongoió, líder indígena reconhecido, é assassinado em Brumadinho, MG, ampliando a violência contra povos tradicionais.
Segundo relatos de membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que trabalham na região, Merong expressou sua intenção de ampliar as lutas em uma conversa recente, datada do dia 25 de fevereiro. O cacique liderava a Retomada Kamakã Mongóio, no Vale do Córrego de Areias, em Brumadinho, e seu envolvimento na defesa não se restringia apenas ao seu próprio povo, estendendo-se também aos kaingang, xokleng e guarani.
Nascido em Contagem (MG) e radicado na Bahia desde a infância, Merong era conhecido por sua atuação em diferentes estados, como Rio Grande do Sul, onde participou da Ocupação Lanceiros Negros. Sua morte é mais um triste capítulo na violência sofrida pelos povos indígenas, que têm sido alvo constante de invasões e conflitos em seus territórios.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) manifestou profundo pesar pela perda de Merong, solidarizando-se com sua família e amigos. O assassinato do cacique pataxó hã-hã-hãe se soma a uma triste lista de líderes indígenas mortos em circunstâncias violentas, evidenciando a urgência de se garantir a segurança e proteção dessas comunidades.
A Reserva Indígena Caramuru-Paraguassu, onde os pataxó hã-hã-hãe têm comunidades, é constantemente alvo de invasões por parte de fazendeiros e posseiros, gerando um cenário de conflito e violência. A emboscada que resultou na morte de Merong reacende a necessidade de se combater a impunidade e ações violentas contra os povos indígenas, garantindo o respeito aos seus direitos e territórios.
A morte de Merong Kamakã Mongoió é um trágico episódio que destaca a vulnerabilidade e o enfrentamento diário que os povos indígenas enfrentam em sua luta pela sobrevivência e preservação de suas culturas. A Agência Brasil buscou informações junto à Secretaria de Segurança de Minas Gerais sobre o caso, porém, até o momento, não obteve resposta.









