
BRASIL – Comissão da Verdade da OAB de Cubatão pede inclusão das vítimas do incêndio da Vila Socó na lista de desaparecidos políticos da ditadura
Essa decisão foi divulgada durante um Ato Ecumênico realizado neste domingo (25) no memorial em homenagem às vítimas do incêndio, que ocorreu há 40 anos. Na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, um incêndio devastador, causado por vazamento de gasolina de um duto da Petrobrás, destruiu a favela onde residiam aproximadamente 6 mil pessoas na Vila Socó.
Os moradores relataram que o cheiro de gasolina foi percebido na comunidade no início da manhã e, após mais de doze horas, ocorreu a primeira explosão que resultou no incêndio que se alastrou rapidamente, destruindo os barracos construídos sobre palafitas encharcadas pelo vazamento de gasolina.
Dojival Vieira dos Santos, advogado e membro da Comissão da OAB de Cubatão, justifica o pedido de inclusão das vítimas na lista de desaparecidos políticos argumentando que o incêndio ocorreu no fim do governo do último presidente militar, João Batista Figueiredo, e que Cubatão era uma cidade classificada como Área de Segurança Nacional, com um prefeito biônico indicado pelo governo federal.
O advogado denuncia o que chama de “Operação Abafa”, onde foi reduzido o número de mortos (estimado em até 700) para 93, visando minimizar o impacto na Petrobrás. Ele destaca que a tragédia poderia ter sido evitada caso a Defesa Civil tivesse sido acionada a tempo para evacuar os moradores.
Além disso, Neigila Aparecida Soares da Silva, uma das poucas pessoas indenizadas pelo acidente, relata que, mesmo recebendo uma compensação financeira em 1985, nunca foi contemplada com a pensão vitalícia prometida. Ela demonstra a necessidade de justiça ainda ser feita, mesmo após quatro décadas.
O ato em memória das vítimas foi organizado pela OAB de Cubatão e pela Associação de Moradores da Vila São José. O secretário de governo da prefeitura, César da Silva Nascimento, participou da cerimônia, porém a gestão municipal optou por não apoiar a homenagem, deixando a responsabilidade para a sociedade civil.
A prefeitura de Cubatão realizou recentemente a manutenção do memorial na comunidade, mas a placa com os nomes das vítimas foi furtada e vandalizada. O monumento está localizado em um terreno entre a rodovia Anchieta e a linha de trem, e a Petrobrás, empresa responsável pelo duto que causou o incêndio, não participou do evento e não se manifestou sobre sua responsabilidade na tragédia da Vila Socó.
Portanto, a luta por justiça e por manter viva a memória das vítimas do incêndio na Vila Socó continua, com a Comissão da Verdade da OAB de Cubatão buscando reconhecimento e reparação para aqueles que perderam suas vidas nesse trágico episódio.









