
BRASIL – Operação Verão na Baixada Santista resulta na morte de 28 pessoas durante confrontos com policiais; entidades de direitos humanos pedem ação da CIDH e ONU.
Um dos mortos durante a operação era líder de uma facção criminosa envolvida em atividades como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, tribunal do crime e atentados contra agentes públicos. A SSP ressalta que o enfrentamento ao crime organizado é uma prioridade, especialmente após o assassinato de dois policiais em Santos.
A presença do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, na Baixada Santista por 13 dias demonstra o empenho das autoridades em conter a violência na região. No entanto, dados do Ministério Público de São Paulo revelam que, somente neste ano, 86 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço em todo o estado, sendo 47 dessas mortes na Baixada Santista. Estes números chamaram a atenção de entidades de direitos humanos, como a Defensoria Pública de São Paulo e a organização Conectas Direitos Humanos, que solicitaram a intervenção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos na América do Sul.
Estas entidades, juntamente com o Instituto Vladimir Herzog, pedem a exigência do uso obrigatório de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública, como forma de garantir transparência e responsabilização em casos de supostas execuções, torturas e abordagens violentas por parte dos policiais. Durante o carnaval, uma comitiva formada pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo, pela Defensoria Pública e por deputados estaduais esteve na Baixada Santista, onde colheram relatos de moradores denunciando tais práticas por parte da Operação Escudo, que passou a ser chamada pelo governo estadual de Operação Verão.
Enquanto as autoridades afirmam que a operação visa combater a criminalidade e garantir a segurança da população, as denúncias e a crescente preocupação das entidades de direitos humanos apontam para a necessidade de uma investigação rigorosa e de medidas que garantam a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos. O confronto entre as forças de segurança e o crime organizado na Baixada Santista continua a ser um desafio complexo e urgente a ser enfrentado no estado de São Paulo.









