BRASIL – Ação policial em 2023 na Baixada Santista deixa 26 mortos; pedido de entidades pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos

A polícia militar na Baixada Santista tem sido responsável pela morte de 26 pessoas desde o início de fevereiro, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo. Uma das ações recentes ocorreu em um apartamento no bairro Santa Cruz dos Navegantes, resultando em três mortes.

Segundo a SSP, um dos mortos era um líder de facção criminosa conhecido como Danone, que entrou em confronto com os policiais do Comando e Operações Especiais. O caso está sob investigação.

Estas ações fazem parte da Operação Escudo, lançada em diversas partes do estado como reação à morte de policiais, e foram renomeadas Operação Verão, segundo o governo de São Paulo. No entanto, o número elevado de mortes tem levado a Defensoria Pública de São Paulo a enviar um pedido para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos exigindo o fim da Operação Escudo no estado.

A solicitação foi enviada também ao Alto Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos na América do Sul, pedindo a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública.

Segundo levantamento do Ministério Público de São Paulo, 71 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço em todo o estado, sendo 14 mortes em Santos, nove em Guarujá, sete em Cubatão e sete em Guarujá, municípios da Baixada Santista.

Durante o Carnaval, uma comitiva formada pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo, Defensoria Pública e deputados estaduais esteve na Baixada Santista e colheu relatos de moradores que denunciam a prática de execuções, tortura e abordagens violentas por policiais militares da Operação Escudo contra a população local e ex-presidiários.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo defende as operações, afirmando que são voltadas ao combate à criminalidade e garantia da segurança da população. Durante a Operação Verão na Baixada Santista, 634 criminosos foram presos, incluindo 236 procurados pela Justiça.

O número elevado de mortes e as denúncias de execuções têm levado organizações a pedirem o fim das operações policiais na região, buscando garantir os direitos humanos e a segurança da população. A situação continua sendo acompanhada de perto pelas autoridades.