
BRASIL – Heloise Gripp Diniz é a primeira surda a conquistar o título de doutora em Libras e defende tese na própria língua de sinais.
Graduada em letras-libras e com mestrado em linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, Heloise é também professora do Departamento de Libras da Faculdade de Letras da UFRJ. Em entrevista por e-mail à Agência Brasil, Heloise ressaltou a importância da participação e liderança dos surdos na academia, utilizando o lema “Nada sobre nós sem nós”, que tem sido adotado por minorias que buscam participar ativamente na produção do conhecimento sobre si mesmas. Ela ressaltou que a libras é uma língua de sinais legítima, equiparada às línguas naturais orais, e que as pesquisas linguísticas na área têm evoluído consideravelmente, deixando de ser conduzidas apenas em comparação com o português.
A pesquisadora explicou que, assim como as línguas faladas, as línguas de sinais, como a libras, também apresentam variações regionais e culturais, influenciadas pelos aspectos históricos e culturais das comunidades surdas. Ela destacou a importância de considerar essas variações linguísticas no estudo da libras, ressaltando que a língua de sinais não se restringe apenas aos sinais, mas é complementada pelos morfemas classificadores, expressões não manuais e corporais, além do espaço da sinalização e do contato visual.
Heloise também apontou as dificuldades de pesquisar a língua brasileira de sinais, citando a limitação de publicações que carecem de ilustrações dinâmicas e interações diretas com a comunidade surda. Ela ressaltou as inovações tecnológicas que têm contribuído para uma representação mais fiel da libras, permitindo uma compreensão mais dinâmica e completa da estrutura linguística da língua de sinais.
Além disso, Heloise ressaltou que, ao se tornar a primeira surda a conquistar o título de doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ e a primeira a defender uma tese inteiramente em libras no programa, ela não vê isso como uma conquista individual, mas sim como parte de um avanço de toda uma comunidade surda em ascensão. Ela destacou que essa conquista simboliza um passo significativo rumo à valorização, visibilidade e respeito pelas contribuições e perspectivas únicas dos surdos em todos os aspectos da sociedade.









