BRASIL – Polícia Federal deflagra operação Tempus Veritatis e investiga suposta organização criminosa liderada por Bolsonaro e integrantes de seu governo.

Operação “Tempus Veritatis” desmantela suposta organização criminosa liderada por ex-presidente Bolsonaro

Uma operação de grande porte deflagrada pela Polícia Federal no dia 8 de fevereiro revelou a existência de uma suposta organização criminosa liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e outros membros de seu governo, incluindo ministros de Estado e militares. A operação, batizada de “Tempus Veritatis” (Hora da Verdade), teve como alvo importantes figuras do alto escalão do governo, e foi realizada após o acordo de colaboração premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, com a PF.

As investigações apontam que o grupo elaborou uma minuta de decreto que tinha como objetivo a execução de um golpe de Estado. Esse documento foi entregue ao ex-presidente em 2022 pelo ex-assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, e pelo advogado Amauri Feres Saad, indicado como o mentor intelectual do documento. A minuta previa a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a realização de novas eleições.

A PF cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, incluindo a prisão do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por porte ilegal de arma. Além disso, os investigados estão proibidos de manter contato e de deixarem o país, precisam entregar os passaportes em 24 horas e estão suspensos do exercício das funções públicas.

A operação também revelou eventos, como uma reunião convocada por Bolsonaro com a alta cúpula do governo federal em julho de 2022, na qual o então presidente cobrou que seus ministros disseminassem informações falsas sobre supostas fraudes nas eleições. O general Augusto Heleno, então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), defendeu a realização de ações antes das eleições presidenciais para garantir a permanência de Bolsonaro no poder.

Além disso, a PF identificou que o grupo monitorou deslocamentos do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o que levou à prisão preventiva do coronel do Exército, Marcelo Câmara, que atuou como assessor especial da Presidência da República.

A operação “Tempus Veritatis” revela um quadro grave de tentativa de golpe de Estado, com a participação de membros de alto escalão do governo. O caso está em andamento e promete desdobramentos importantes nos próximos dias.