BRASIL – Ministra da Igualdade Racial condena policial por atirar à queima-roupa no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro

Na última segunda-feira, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, utilizou suas redes sociais para expressar sua indignação em relação ao policial militar que efetuou disparos a queima-roupa contra um homem no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. O ato vil, que foi filmado e compartilhado nas redes sociais, gerou revolta na população.

No vídeo, é possível observar o policial atacando o homem negro com um fuzil, e logo em seguida, um disparo é ouvido. O homem, que aparentemente estava desarmado, foi atingido e ferido gravemente, sangrando abundantemente. As imagens também capturaram os gritos desesperados das pessoas ao redor, causando consternação por toda parte.

Anielle Franco classificou o vídeo como “aterrorizante” e afirmou que estará acompanhando as investigações de perto. A ministra também ressaltou que a lei deve ser cumprida por todos, independentemente de local, raça ou renda, e considerou a ação do policial como desproporcional. Para reforçar seu apoio à família da vítima e à população da Maré, a ministra chamou o Ministro Lewandowski para solicitar seu acompanhamento nas investigações.

A morte do homem, identificado como “Jefferson”, foi confirmada pelas deputadas federais Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Renata Souza (PSOL), que entraram com uma representação no Ministério Público estadual para cobrar controle externo da operação na Maré. A Anistia Internacional também se manifestou sobre o caso, exigindo investigações imparciais e responsabilização de todos os envolvidos.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, o agente envolvido na ocorrência foi identificado e um procedimento para averiguar as circunstâncias do fato foi instaurado. A Polícia Civil também declarou que a Delegacia de Homicídios da Capital foi acionada para realizar uma perícia no local e que outras diligências estão em andamento para apurar e esclarecer todos os fatos.

A ação policial que resultou na morte do homem ocorreu durante uma operação para recuperar uma carga de veículos de luxo roubada, envolvendo policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque).

Durante a ação, 11 veículos, um carro de luxo e quatro motocicletas foram recuperados na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, após serem roubados de um caminhão-cegonha durante a madrugada, na Avenida Brasil. O motorista do caminhão também foi mantido como refém pelos criminosos. A sensação de insegurança gerada pela operação policial ultrapassou os limites de tolerância devido à morte violenta do homem.