
BRASIL – Mulheres do Bolsa Família em cidades desiguais têm menor risco de morte por câncer de mama, mostra estudo da Fiocruz
A pesquisa, que avaliou dados de mais de 20 milhões de mulheres adultas registradas no Cadastro Único do governo federal, aponta que, quanto maior a desigualdade de renda nos municípios, maior é o risco de morrer por câncer de mama. Evidenciou-se que a incidência de mortalidade por câncer de mama em municípios com alta segregação de renda é ainda maior, de 8,2 óbitos a cada 100 mil habitantes.
Entre os dados analisados, 53,3% das mulheres pesquisadas eram pardas, 32,8% brancas, 8,2% pretas, 0,5% indígenas e 0,4% asiáticas. As pesquisadoras destacaram a relevância do estudo ao explorar a saúde da mulher no contexto do Bolsa Família. Segundo Joanna Guimarães, associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia, o estudo mostrou o resultado de uma política pública na redução das desigualdades na mortalidade por câncer de mama em mulheres, graças ao aumento da renda familiar proporcionado pelo programa.
O estudo indicou que a maior parte da pesquisa que avalia o impacto do Bolsa Família na saúde se concentra em saúde infantil e doenças infecciosas, com menos exploração do impacto na saúde da mulher. Diante disso, a pesquisadora defende a inclusão do rastreamento e exame clínico das mamas entre as condicionalidades do Bolsa Família, pois isso poderia aumentar a detecção precoce do câncer de mama e, potencialmente, reduzir a mortalidade.
Os dados analisados indicam que as mulheres que recebem o Bolsa Família e vivem em cidades mais desiguais têm um risco de morrer por câncer de mama 13% maior que a média, enquanto as que não recebem o benefício e moram nessas cidades vivenciam um risco 24% maior. Isso sugere que mesmo morar em uma cidade segregada tem seu risco reduzido pelo programa. O estudo ressalta, portanto, as implicações políticas de políticas públicas como o Bolsa Família na redução das desigualdades e na promoção da saúde da população de baixa renda.









