BRASIL – Parecer da ANM questiona exatidão das informações da Braskem sobre fechamento de minas de sal-gema em Maceió

Um parecer técnico recente da Agência Nacional de Mineração (ANM) trouxe à tona questionamentos quanto à veracidade das informações fornecidas pela petroquímica Braskem acerca das medidas adotadas para o fechamento das 35 frentes de extração e remoção de sal-gema das minas exploradas pela empresa e suas antecessoras em Maceió, no período de 1976 a 2019.

De acordo com o documento ao qual a imprensa teve acesso, os técnicos do grupo de trabalho (GT-SAL) da ANM expressaram sua surpresa diante do rompimento da frente de lavra M#18, popularmente conhecida como mina nº 18. A ocorrência, que foi registrada em 10 de dezembro de 2023, resultou no desabamento do solo e na formação de uma dolina sob as águas da Lagoa Mundaú.

O parecer aponta que as informações anteriormente fornecidas pela empresa não se mostraram precisas, levantando questionamentos quanto ao critério utilizado na avaliação do risco de novos abatimentos abruptos, uma vez que isso influencia a tomada de decisão sobre o método de fechamento da frente de lavra a ser adotado.

Além disso, os técnicos destacam que a possibilidade de ocorrência de novos abatimentos abruptos não pode ser descartada em outros setores da mina, uma vez que a subsidência continua ativa. Diante desse cenário, o GT-SAL recomendou à Gerência Regional da ANM em Alagoas que exija da Braskem um relatório apontando as causas, consequências e justificativas para o rompimento da mina, além da análise de risco de eventos semelhantes voltarem a ocorrer em outros pontos monitorados.

Outras medidas propostas pelo grupo técnico incluem a exigência de uma justificativa técnica para a não realização do preenchimento de outras frentes de lavra, um gráfico atualizado sobre o acompanhamento de tendência de afundamento do solo e um cronograma de fechamento das frentes de lavra que estão sendo monitoradas, mas em relação às quais ainda não há definição quanto ao método a ser empregado.

Procurada pela imprensa, a Braskem afirmou que já recebeu cópia do parecer técnico da ANM e que irá responder no prazo solicitado. A empresa assegurou que todas as frentes de lavra e cavidades são monitoradas por vários instrumentos e métodos diferentes, garantindo que instalou na região uma das redes de monitoramento mais modernas e robustas do país. A empresa também assegurou que vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades públicas e aprovado pela agência. Segundo a companhia, o plano registra 70% de avanço das ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025.