BRASIL – Aumento de golpes prometendo dinheiro esquecido no Banco Central preocupa autoridades e prejudica consumidores brasileiros.

Nos últimos meses, o Banco Central vem alertando a população sobre o aumento de tentativas de golpes no Sistema de Valores a Receber (SVR), que têm gerado prejuízos para muitos brasileiros. Com a evolução da tecnologia, os criminosos têm simulado consultas em falsos sites e aplicativos, induzindo as vítimas a acreditarem que possuem valores altos a receber, que variam de R$ 1 mil a R$ 3 mil.

Após convencer a vítima de que possui dinheiro a receber, os fraudadores orientam o usuário a clicar em um link falso e pagar entre R$ 45 e R$ 90 para receber o suposto valor esquecido. No entanto, após o pagamento, os criminosos desaparecem, deixando a vítima no prejuízo. O chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC, Carlos Eduardo Gomes, ressalta que, apesar de parecer uma quantia baixa, uma transferência de menos de R$ 100 pode causar prejuízos consideráveis para quem tem renda mais baixa.

O Banco Central relatou um aumento considerável no volume de denúncias nos canais de atendimento, como o Sistema Fale Conosco e o telefone 145, desde o fim do ano passado. O chefe de departamento do BC constatou que o crescimento de fraudes no Sistema de Valores a Receber tem sido significativo nos últimos meses. As tecnologias usadas pelos criminosos têm evoluído, desde falsos e-mails até mensagens de WhatsApp e vídeos de inteligência artificial.

Em relação à segurança dos sistemas, Gomes esclarece que os criminosos não violam os sistemas de segurança da autoridade monetária e dos bancos, mas direcionam as pessoas para sites e ambientes falsos, a maioria localizada no Leste Europeu. Apesar disso, o valor a receber permanece preservado no sistema financeiro. O chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC destaca que os casos de fraude utilizam técnicas de engenharia social, em que a vítima fornece os dados diretamente aos criminosos.

Como forma de orientação, o Banco Central recomenda que o consumidor procure o banco ou a operadora do cartão de crédito e, no caso de transferências feitas por Pix, onde as transações são instantâneas, o estorno do valor é praticamente impossível. No entanto, a vítima pode registrar uma reclamação contra a empresa desenvolvedora da ferramenta no Procon local ou, se o golpe se concretizar, ir a uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

De acordo com as estatísticas mais recentes do BC, os brasileiros ainda não haviam sacado R$ 7,51 bilhões do Sistema de Valores a Receber até o fim de novembro. O chefe do Departamento de Atendimento Institucional do BC alerta que o golpe é antigo, mas vem sendo apresentado de forma atraente, explorando a expectativa das pessoas em relação a uma oportunidade de recebimento de valores não esperados. O funcionário do BC ressalta que é essencial a conscientização da população em relação a esses golpes e a importância de proteger suas informações pessoais.