BRASIL – “Estudo da UFF aponta Brumadinho como cidade brasileira com mais conflitos envolvendo mineração”

Brumadinho, localizada em Minas Gerais, se destaca como a cidade do país com o maior número de conflitos relacionados à mineração. Um estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) mostrou que a região contabiliza 30 ocorrências, a maioria delas associadas à tragédia que ocorreu há cinco anos, em 2019. Naquele episódio, o rompimento de uma barragem da mineradora Vale resultou em 270 mortes, devastação ambiental e impactos severos nas comunidades locais.

O estudo, liderado pelo geógrafo Luiz Jardim Wanderley, professor da UFF, culminou na publicação do Relatório de Conflitos da Mineração no Brasil, em parceria com o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que representa diversas organizações civis.

A tragédia completou cinco anos nesta quinta-feira (25), e como forma de homenagear as vítimas e exigir justiça, os afetados promoveram uma série de atos ao longo da semana. As famílias das vítimas reivindicam 272 mortes, considerando duas mulheres grávidas no momento do desastre.

Segundo Wanderley, desde 2020 Brumadinho tem sido o epicentro dos conflitos no Brasil, com dezenas de mobilizações em busca de reparação e mais de duas dezenas de comunidades em confronto com a Vale e outras empresas mineradoras que atuam na região.

Procurada pela Agência Brasil, a Vale não comentou os resultados do levantamento, mas afirmou estar comprometida com a reparação integral dos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho.

Os dados coletados pelos pesquisadores da UFF revelam um aumento de 22,9% no total de localidades com conflitos envolvendo a mineração em 2022 em comparação com 2021. Ao longo do último ano, foram registradas 45 mortes relacionadas com a atividade minerária, com os estados de Minas Gerais, Pará e Amazonas concentrando a maior parte das ocorrências.

No relatório, as empresas envolvidas nos conflitos foram listadas, com a Vale liderando com 115 ocorrências, que correspondem a 24% do total. O garimpo ilegal também foi uma área de destaque, com 270 conflitos, destacando os povos indígenas como os mais violados, presentes em 31,9% das ocorrências.

Luiz Jardim Wanderley ressalta que a mineração tem sido uma atividade associada a violações de direitos humanos e ambientais, afetando principalmente os mais pobres, indígenas e negros. Além disso, as disputas territoriais resultaram em perdas de vidas, remoções forçadas e ameaças, afetando tanto comunidades rurais quanto urbanas.

Também foram registrados casos de degradação dos recursos hídricos, incluindo captura excessiva e contaminação das águas, bem como condições de trabalho degradantes. Wanderley destaca que os dados evidenciam como opera o racismo ambiental, contribuindo para a desestruturação das comunidades afetadas.