BRASIL – Estudo aponta ineficácia na emissão de alertas por SMS utilizando CEPs para eventos adversos e desastres, revela pesquisa da PUC-PR.

Um estudo realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) revelou que a emissão de alertas para eventos adversos e desastres por meio de mensagens de texto (SMS) utilizando Códigos de Endereçamento Postal (CEPs) ainda é ineficaz. A tese de doutorado do pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUC-PR, Murilo Noli da Fonseca, foi o ponto de partida para a pesquisa.

Segundo Fonseca, o sistema de alerta de eventos adversos e desastres no Brasil é baseado no Cadastro de CEP e constitui a principal forma utilizada pelos municípios brasileiros, principalmente através da Defesa Civil. No entanto, o estudo identificou que o número de celulares cadastrados nessas áreas de risco era muito baixo, levantando questões sobre a eficácia do sistema.

O trabalho teve início em Curitiba, com um mapeamento para verificar em quais áreas estavam localizadas as pessoas que fizeram o cadastro. Posteriormente, houve um cruzamento dos celulares cadastrados com as áreas de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, constatando-se que o número de celulares cadastrados nessas regiões era muito pequeno.

Além disso, as áreas de risco geralmente não possuem CEP devido à falta de regularização, o que impede que as pessoas residentes nessas áreas recebam os alertas e avisos de eventos adversos, tornando-as ainda mais vulneráveis. A falta de regularização também foi apontada como uma das limitações do sistema, uma vez que o cadastramento do CEP é voluntário.

Os resultados do levantamento mostraram uma variação na conscientização e registro dos CEPs por região. Em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Manaus e Recife, o percentual de celulares cadastrados em áreas de risco variou de 3,5% a 7,92%, demonstrando uma baixa adesão ao sistema.

Os pesquisadores pretendem ampliar o mapeamento para um número maior de capitais e cidades de maior porte, incluindo também cidades menores. Além disso, estão tentando verificar e mapear pessoas que cadastraram o whatsapp para receber os alertas, já que o Brasil é o único país que oferece esse tipo de alerta pelo aplicativo.

Murilo Noli da Fonseca ressaltou que a intenção é fazer entrevistas em comunidades para identificar as formas mais adequadas para que a informação de alerta possa chegar às pessoas de maneira mais eficiente e em tempo hábil. Ele destacou que ainda existem diversas limitações e lacunas que precisam ser aprimoradas no sistema de alertas, tanto no que se refere ao cadastramento pelo CEP quanto às alternativas, como o whatsapp e a localização em tempo real.

Dessa forma, o estudo apontou a necessidade de aprimoramentos no sistema de alertas de eventos adversos e desastres no Brasil, visando alcançar um maior número de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, proporcionando-lhes maior proteção e segurança diante desses eventos.