
BRASIL – Número recorde de resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão em 2023 evidencia falta de fiscalização no Brasil.
Com esses dados, o país já contabiliza 63,4 mil trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão desde a criação dos grupos de fiscalização móvel, em 1995. A atividade que lidera o número de resgates ainda é o trabalho no campo, com destaque para o cultivo de café, que teve 300 pessoas libertadas, e o plantio de cana-de-açúcar, com 258 pessoas resgatadas. No que diz respeito à distribuição geográfica, Goiás lidera com o maior número de resgatados (735), seguido por Minas Gerais (643), São Paulo (387) e Rio Grande do Sul (333).
Por trás desses números, existem histórias de abuso nos campos e nas cidades que evidenciam como o trabalho análogo à escravidão ainda é uma realidade recorrente no Brasil. Relatos de trabalhadores idosos resgatados revelam situações desumanas, como a proibição de comer e tomar café, além de privações de liberdade e abusos verbais.
Apesar do aumento no número de resgates, um dos principais desafios para combater o trabalho escravo é a falta de auditores fiscais. O Ministério do Trabalho e Emprego reconhece a escassez de pessoal, tendo menos de 2 mil auditores fiscais do trabalho ativos – o menor número desde a criação da carreira, em 1994. Apesar disso, o governo afirma que conseguiu aumentar o número de resgates em 2023, mesmo com uma equipe reduzida de fiscais.
Em suma, os dados alarmantes sobre o aumento de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão alertam para a urgência de medidas para combater esse problema persistente no Brasil.









