
BRASIL – Populares pomadas para cabelo causam sérias lesões nos olhos durante as festas de fim de ano, alerta Anvisa e Sociedade Brasileira de Oftalmologia.
No Rio de Janeiro, um caso recente chamou a atenção das autoridades de saúde. No dia 26 de dezembro, o Hospital Municipal Souza Aguiar registrou 163 atendimentos de emergência relacionados a lesões nos olhos causadas pelo uso de pomadas capilares. Esse número impressionante levanta o receio de que haja um aumento similar ou até mesmo maior de incidentes durante as comemorações do Réveillon.
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre os problemas de saúde que podem ser causados pela aplicação incorreta de cosméticos ou pelo uso de produtos sem selo de qualificação. Além disso, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) também está atenta ao aumento de casos que prejudicam a saúde dos olhos.
De acordo com Rodrigo Pegado, diretor da SBO, as pomadas irregulares contêm substâncias químicas que, ao entrarem em contato com os olhos, causam lesões na córnea, podendo gerar desde irritação e conjuntivite até perda temporária da visão. Os principais sintomas relatados pelos pacientes incluem coceira nos olhos, vermelhidão, irritação, ardência e inchaço, podendo evoluir para uma visão turva e, em casos mais graves, para uma perda total da visão.
Diante dessa situação, a principal recomendação dos especialistas é evitar o uso de pomadas de origem desconhecida e também verificar se o produto tem registro no site da Anvisa. Além disso, é fundamental saber manusear corretamente esses cosméticos e, na maioria dos casos, buscar a aplicação por um profissional.
Em caso de contaminação pelos olhos, a orientação é lavar abundantemente com água filtrada e procurar imediatamente um oftalmologista para receber o tratamento adequado. O atendimento médico inclui a identificação do tipo e da gravidade da lesão, a notificação à Anvisa sobre o incidente e o tratamento da área afetada, que pode envolver o uso de colírios e durar até 15 dias.
Em paralelo a essa situação, a Anvisa divulgou uma resolução que cancelou 1.266 pomadas para fixar ou modelar cabelos. A agência reforçou que a fabricação ou comercialização de produtos cancelados e não autorizados é considerada infração sanitária e está sujeita a penalidades, conforme a Lei 6.437/1977.
O histórico desse problema remonta a janeiro de 2023, quando os casos de contaminação se multiplicaram, levando à proibição da venda e circulação de todas as pomadas capilares no país. Após uma reavaliação, a Anvisa permitiu a comercialização das pomadas, com restrições sobre as marcas que não ofereciam riscos aos consumidores.
Diante dos eventos recentes, a Anvisa está atuando em conjunto com os órgãos de saúde locais no Rio de Janeiro para compreender a natureza e a extensão do problema, visando adotar todas as medidas cabíveis para proteger a saúde pública e responder rapidamente aos riscos identificados. A agência reforçou que apenas os produtos presentes na Lista de Pomadas Autorizadas podem ser fabricados e comercializados.









