BRASIL – Ofensiva israelense em Gaza pode radicalizar população palestina, dizem especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Guerra deve prolongar-se por muitos meses.

A continuidade da ofensiva israelense em Gaza segue provocando intensas repercussões e acendendo debates sobre o rumo esperado para o conflito. O prolongamento dos ataques, que já perduram desde 7 de outubro, pode ter como efeito a radicalização da população palestina e o fortalecimento do terrorismo, de acordo com especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Os ataques começaram após uma série de atentados terroristas do grupo Hamas, resultando em um significativo número de mortos e feridos. As condições humanas em Gaza são consideradas catastróficas pela Organização das Nações Unidas (ONU), com a maioria dos habitantes deslocada devido à violência.

O professor Michel Gherman, do Centro de Estudos do Antissemitismo da Universidade de Jerusalém, aponta quatro fatores que podem influenciar os rumos da ofensiva. Entre eles, ele destaca o cenário político interno, com a pressão pela saída do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Gherman argumenta que a estratégia de prolongar a guerra pode ser uma tentativa do premier de se manter no poder.

Além disso, o risco de envolvimento de outros grupos armados, como o Hezbollah e os houthis, ambos apoiados pelo Irã, também é considerado um fator determinante para o futuro do conflito. A participação desses grupos poderia transformar a ofensiva em um confronto regional de maiores proporções.

No âmbito internacional, a postura do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que enfrentará eleições em 2024, pode influenciar no desfecho do conflito. A pressão por uma moderação na ofensiva, visando proteger civis, já foi manifestada pelos Estados Unidos.

O prolongamento da guerra inevitavelmente traz preocupações com a radicalização das populações envolvidas. O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que o grupo Hamas teria planejado os ataques como forma de fortalecer a causa terrorista, prejudicando as chances de uma solução pacífica para a questão palestina.

Diante desse cenário, as negociações, propostas de cessar-fogo e mediações continuam sendo estudadas como possíveis saídas para o conflito. O consenso é de que a prolongação da guerra apenas contribui para o agravamento da radicalização e a ampliação do terrorismo na região.