
BRASIL – Brasil discute redução das demarcações de terras indígenas após decisão do STF, apesar de veto de presidente e resistência de populações.
A advogada indígena e assessora jurídica da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Cristiane Baré, ressalta que os indígenas são os habitantes originais do país, e que trazer um marco temporal é ignorar as violações de direitos sofridas desde a colonização. A decisão do STF de invalidar a tese foi seguida pela aprovação do projeto de lei que a incluiu, seguida pelo veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e posterior derrubada dos vetos pelo Congresso.
Após a derrubada dos vetos, organizações indígenas e o governo passaram a elaborar recursos para serem analisados pelo STF. Enquanto isso, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende o marco temporal como forma de evitar uma suposta insegurança jurídica e a expropriação de famílias rurais.
O professor adjunto de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Wallace Corbo, aponta que o Brasil agora tem uma legislação que contraria a Constituição em relação às terras indígenas. Ele destaca que a lei deverá ser alvo de ações judiciais que buscarão sua inconstitucionalidade.
A questão da indenização para proprietários que receberam títulos de terras que deveriam ser consideradas terras indígenas também tem sido foco de debates. A advogada Cristiane Baré expressa preocupação com a questão, ressaltando que os direitos originários dos indígenas não têm preço. O professor Wallace Corbo, por sua vez, aponta que o STF decidiu que a indenização não condiciona a demarcação e que os ocupantes de boa fé terão que buscar o reconhecimento da sua ocupação e a indenização em processos separados.
Diante de um cenário de intensa disputa em torno das terras indígenas, tanto o governo quanto as organizações indígenas preparam-se para continuar o embate nas esferas judiciais e políticas, buscando garantir os direitos constitucionais dos povos originários do Brasil.









