BRASIL – OMS alerta para riscos dos cigarros eletrônicos e pede regulamentação similar ao tabaco; consulta pública está aberta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta para os perigos dos cigarros eletrônicos, recomendando que os países tratem os dispositivos de fumar eletrônicos da mesma maneira que o tabaco, com a adoção de medidas de controle e a proibição de dispositivos com sabor. Esta advertência vem na esteira de um estudo da Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, que revelou que cerca de 2,2 milhões de brasileiros usam cigarros eletrônicos, apesar da proibição no país desde 2009.

A Associação Médica Brasileira (AMB) também alerta para os perigos dos cigarros eletrônicos, destacando que a maioria desses dispositivos contém nicotina, a droga psicoativa responsável pela dependência. Segundo a AMB, a nicotina inalada alcança o cérebro entre sete e 19 segundos, liberando substâncias químicas que provocam uma sensação imediata de prazer.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma consulta pública sobre a liberação dos cigarros eletrônicos no Brasil, que permanecerá aberta até fevereiro de 2024. No entanto, o médico e coordenador do Centro de Apoio ao Tabagista, Alexandre Milagres, é contrário à regulamentação dos dispositivos, afirmando que a alegação de que a regulamentação reduziria o comércio ilegal é enganosa e apenas beneficia a indústria do setor.

De acordo com Milagres, a indústria tabagista está promovendo a ideia de que os cigarros eletrônicos são menos prejudiciais à saúde como forma de recuperar os clientes perdidos devido à conscientização dos danos do tabaco. No entanto, a AMB alertou que os cigarros eletrônicos contêm centenas de substâncias nos aerossóis, muitas delas tóxicas e cancerígenas, representando riscos à saúde dos usuários.

Diante dessas evidências, a OMS e a AMB enfatizam a importância de conscientizar a população sobre os riscos associados aos cigarros eletrônicos e destacam a necessidade de medidas de controle mais rígidas para evitar a propagação desse hábito prejudicial à saúde.