BRASIL – Previsão da AEB para balança comercial 2024: exportações devem cair e importações aumentar, com superávit menor em relação a 2023.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) divulgou nesta quarta-feira (13) suas previsões para a balança comercial em 2024. Segundo a entidade, as exportações devem registrar uma queda de 0,6%, totalizando US$ 334,517 bilhões, contra os US$ 336,532 bilhões previstos para 2023. Já em relação às importações, a projeção é de um aumento de 0,62%, atingindo US$ 241,745 bilhões em 2024, contra os US$ 240,345 bilhões calculados para este ano. Como resultado, o superávit esperado para o próximo ano é de US$ 92,772 bilhões, uma queda de 3,5% em comparação aos US$ 96,187 bilhões estimados para 2023.

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, ressaltou que o mercado internacional está passando por um período de calmaria, com poucas variações nos preços dos produtos. De acordo com ele, as flutuações em relação a 2022 foram mínimas, e a expectativa é que esse cenário se mantenha em 2024. No entanto, Castro alertou que no segundo semestre do próximo ano, eventos políticos ou econômicos podem surgir e afetar a estabilidade do comércio.

Em relação aos produtos mais exportados pelo Brasil, a AEB aponta que soja, petróleo e minério continuarão representando mais de um terço das exportações totais do país em 2024. Castro também mencionou que eventuais mudanças geopolíticas, especialmente envolvendo China, Estados Unidos e Rússia, poderiam impactar o comércio internacional. Já em relação à Argentina, o presidente da AEB mencionou que a posse do novo presidente do país, Javier Milei, pode trazer consequências positivas para o comércio brasileiro, se a Argentina tiver uma boa safra de soja e milho.

No entanto, a entidade alertou que, em 2023, todos os 15 principais produtos exportados pelo Brasil foram commodities, o que evidencia a ausência de produtos manufaturados expressivos na balança comercial brasileira. Castro ressaltou que, apesar da expectativa de uma potencial reforma tributária ainda este ano, o país está perdendo oportunidades de alavancar a produção industrial em comparação com outros países, como o México.

Segundo a AEB, o Brasil está “perdendo oportunidades no mercado mundial” e precisará se preparar para o futuro, a fim de garantir um crescimento econômico sustentável nos próximos anos.