BRASIL – Estudo do Ipea indica que problemas familiares e desemprego são principais motivos que levam as pessoas a morarem nas ruas.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que os principais motivos que levam as pessoas a viverem nas ruas são problemas familiares e desemprego. Os resultados foram divulgados e destacam a análise dos dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

De acordo com o estudo, cerca de 227 mil pessoas estavam oficialmente registradas como em situação de rua em agosto de 2023. Porém, o Ipea alerta que esse número não pode ser considerado como um censo oficial, devido às dificuldades em fazer um levantamento completo de todas as pessoas que fazem parte desse grupo mais vulnerável.

Considerando os motivos individuais que explicam a situação de rua, além dos problemas com família e companheiros (47,3%) e o desemprego (40,5%), foram citados também alcoolismo e outras drogas (30,4%), perda de moradia (26,1%), ameaça e violência (4,8%), distância do local de trabalho (4,2%), tratamento de saúde (3,1%), preferência ou opção própria (2,9%) e outras questões (11,2%).

O estudo aponta que as causas podem ser organizadas em três dimensões: exclusão econômica, fragilização ou ruptura de vínculos sociais e problemas de saúde. As três dimensões não são excludentes e é comum que se manifestem ao mesmo tempo.

Outro destaque do estudo foi a análise de dados raciais, geográficos e gerais. Verificou-se que a maioria das pessoas em situação de rua se declarou negra (68%), enquanto os brancos representavam 31,1%. Mulheres representavam apenas 11,6% da população adulta nessa situação.

Em relação às políticas públicas, o estudo visa colaborar com o aprimoramento das políticas voltadas para a população em situação de rua. Nesse sentido, instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania têm atuado para implementar a Política Nacional para a População em Situação de Rua e promover a efetivação de planos de ação e monitoramento.

Finalmente, o governo federal lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis – Pelo direito ao futuro da população em situação de rua, que prevê um investimento inicial de R$ 982 milhões para desenvolver medidas nos eixos de Assistência Social e Segurança Alimentar, Saúde, Violência Institucional, Cidadania, Educação e Cultura, Habitação, Trabalho e Renda, e Produção e Gestão de Dados.