
BRASIL – “Casa Neon Cunha: Crise financeira ameaça acolhimento de pessoas LGBTQIA+ em São Bernardo do Campo”
O imóvel, que atualmente abriga 25 pessoas e atende cerca de 15 por dia, oferece uma variedade de serviços, que incluem atendimentos psicossociais, assessoria jurídica e oficinas. Por mês, a Casa Neon Cunha necessita de R$ 50 mil para cobrir todos os gastos, incluindo aluguel, folha de pagamento e despesas básicas como alimentação, luz e água. O orçamento ficou ainda mais apertado em 2021, quando a instituição passou a estruturar o imóvel para servir como residência permanente para membros da comunidade LGBTQIA+.
Apesar das parcerias pontuais com marcas e da indicação da prefeitura local como um local de referência, a organização não recebe ajuda fixa do governo, de empresas ou de outras organizações. O presidente da instituição, Paulo Araújo, destaca que a maioria dos residentes é negra e do Nordeste, incluindo pessoas que foram expulsas de casa por familiares e vítimas de violência devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero.
A Casa Neon Cunha tem buscado levantar dados por meio de um censo para compreender melhor o perfil dos membros da comunidade no município. Além disso, a organização tem feito apelos e promovido rifas por meio de suas redes sociais para tentar angariar fundos.
O presidente da instituição também ressaltou as dificuldades que os moradores enfrentam no mercado de trabalho, uma vez que a comunidade LGBTQIA+ lida com uma série de desafios para garantir uma renda satisfatória. No entanto, a atuação da Casa Neon Cunha tem sido fundamental na prestação de serviços, tendo servido 18 mil refeições, realizado 58 retificações de nome e gênero, e formado 30 pessoas no projeto Trans-formação em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU).
Diante dessa situação, o governo federal anunciou a criação do Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+, que tem como objetivo oferecer suporte para pessoas entre 18 e 65 anos em situação de abandono familiar. O programa, denominado Acolher+, busca priorizar aqueles com diferentes marcadores sociais, como raça, etnia, classe social, gênero, religião e deficiência.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se comprometeu a publicar critérios de adesão ao programa em até 120 dias, e a pasta deverá instituir um comitê para acompanhar as ações desenvolvidas dentro do programa. Essa iniciativa pode representar um avanço importante para a comunidade LGBTQIA+, fornecendo suporte adicional em um momento em que a Casa Neon Cunha enfrenta desafios financeiros significativos.









