
BRASIL – Relatório revela que taxa de mortes violentas intencionais na Amazônia é 45% superior à média nacional, atingindo 33,8 por 100 mil habitantes.
De acordo com o estudo, o Brasil registrou uma taxa de violência letal de 23,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes no ano anterior. Porém, nas cidades que compõem a Amazônia Legal, a taxa de mortes violentas intencionais chegou a 33,8 por 100 mil habitantes. Os dados do relatório foram compilados com base em números das secretarias estaduais de Segurança Pública e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo comparou a taxa de diversos crimes, como homicídios, feminicídios, homicídios contra indígenas, estupros e registros de armas, em diferentes regiões do país. Os resultados apontaram que todos os crimes analisados tiveram um aumento significativo na região amazônica em comparação com o restante do Brasil. Nas cidades classificadas como urbanas pelo IBGE, a taxa de mortes violentas intencionais na Amazônia legal foi de 35,1 por 100 mil habitantes, 52% superior à média nacional.
O relatório destacou que a disseminação de facções criminosas na região, especialmente ligadas ao narcotráfico, tem contribuído significativamente para o aumento dos índices de violência. Além disso, o estudo ressaltou que a população feminina majoritariamente negra, indígena e ribeirinha na região é mais vulnerável a vários tipos de violência.
A presença de pelo menos 22 facções do crime organizado na região amazônica, atuando em todos os estados amazônicos, também foi apontada como um dos principais fatores contribuintes para a escalada da violência na região. O relatório destacou que a maioria dos municípios da Amazônia Legal está sujeita a disputas territoriais entre facções, o que coloca em risco grande parte da população da região.
Além dos crimes violentos, o estudo também apontou um aumento expressivo nos registros de crimes ambientais na região amazônica. Dados sobre desmatamento, comércio ilegal de madeira, incêndios criminosos e casos de grilagem foram analisados.
Segundo o FBSP e o Instituto Mãe Crioula, o aumento da exploração ilegal de minérios e a diminuição das fiscalizações ambientais, juntamente com o estímulo por parte do governo federal, contribuíram para o que foi chamado de “nova corrida do ouro” na Amazônia Legal. O recolhimento do imposto devido no caso da extração de minérios, conhecido como Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), aumentou significativamente na região.
Diante desses dados alarmantes, o relatório destacou a necessidade de políticas públicas eficazes para combater a escalada da violência e a exploração ilegal na região amazônica. O documento alertou que o processo de expansão e consolidação das facções criminosas na região está diretamente relacionado às dinâmicas de funcionamento do sistema prisional, e apontou a importância de investimentos em segurança pública e políticas de preservação ambiental para enfrentar esses desafios.









