BRASIL – Desmatamento avança no Brasil: perda de 16% da vegetação nativa não florestal nos últimos 38 anos

O desmatamento e a destruição da vegetação nativa não florestal no Brasil tem sido significativa nos últimos 38 anos, de acordo com um levantamento inédito do MapBiomas. Entre 1985 e 2022, o país perdeu 16% de sua vegetação não florestal, o que representa 9,6 milhões de hectares de cobertura vegetal herbácea e arbustiva. Esse tipo de vegetação, pouco valorizado e muitas vezes subestimado, é muito importante devido à grande diversidade de espécies de plantas e animais que abriga, bem como pelos serviços ecossistêmicos que fornece.

Segundo a análise do MapBiomas, o desmatamento dessa vegetação não florestal segue um ritmo semelhante ao das áreas florestais do país. A coordenadora científica da entidade, Júlia Shimbo, ressaltou que o Cerrado lidera o desmatamento de vegetação herbácea e arbustiva, com 2,9 milhões de hectares suprimidos, seguido pelo Pampa, que perdeu 2,85 milhões de hectares, representando uma perda de 30% da vegetação em relação ao que existia em 1985.

A vegetação não florestal está presente em todos os biomas brasileiros, em diferentes formas, incluindo formações campestres, campos alagados, áreas pantanosas e afloramentos rochosos. No total, essa cobertura vegetal ocupa 50,6 milhões de hectares, o equivalente a 1,4 vezes o território da Alemanha.

O MapBiomas destacou que os estados com a maior proporção de vegetação não florestal são o Rio Grande do Sul, Roraima e Amapá. O Rio Grande do Sul é também um dos estados que mais perderam esse tipo de vegetação desde 1985, seguido por Mato Grosso.

Além disso, o levantamento aponta que as pastagens exóticas, que consistem em introduções de espécies de pastagem de capim não nativas do bioma onde foram implementadas, têm sido responsáveis pela conversão de áreas naturais em pastagem nos últimos 38 anos, totalizando mais de 700 mil hectares.

O MapBiomas ressaltou a importância de proteger essas áreas de vegetação não florestal, especialmente em biomas tipicamente não florestais, como o Pantanal e o Pampa. Atualmente, apenas 4,1% e 1% desses biomas, respectivamente, estão protegidos, o que demonstra a necessidade de medidas efetivas de conservação e manejo sustentável para preservar essa importante cobertura vegetal.