BRASIL – Ministério da Fazenda reduz projeção de crescimento do PIB para 2023 e inflação também tem estimativa menor.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para baixo as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para os anos de 2023 e 2024. Segundo o Boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (21), a estimativa para o crescimento do PIB em 2023 foi reduzida de 3,2% para 3%, devido à expectativa de crescimento zero no PIB no terceiro trimestre, ante previsão anterior de expansão de 0,1%. Já para 2024, a estimativa de crescimento econômico caiu de 2,3% para 2,2%.

A SPE também destacou que as projeções para os diferentes setores da economia divergem, com a projeção de crescimento mantida em 14% para o setor agropecuário, estimativa avançando de 1,5% para 1,9% para a indústria, e caindo de 2,5% para 2,2% para os serviços.

No entanto, apesar das revisões para baixo, a perspectiva ainda é de aceleração na atividade econômica no quarto trimestre de 2023, motivada pelo crescimento de subsetores menos sensíveis ao ciclo econômico e pela manutenção do consumo das famílias.

Quanto à inflação, a projeção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,85% para 4,66% para 2023, levemente abaixo da meta de inflação para o ano. Para 2024, a estimativa avançou de 3,4% para 3,55%.

A estimativa para a inflação oficial subiu para 2024, devido ao reajuste do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados do Sul e do Sudeste, além de mudanças pequenas no cenário para o dólar e o preço das commodities. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deverá encerrar 2023 com variação de 4,04%, e a previsão para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu de deflação de 3% para deflação de 3,3% em 2023.

A desaceleração econômica para 2024, de 2,3% para 2,2% de crescimento do PIB, é atribuída principalmente ao cenário externo, com aumento das incertezas em função da eclosão de conflitos geopolíticos e da perspectiva de manutenção dos juros americanos em alto patamar por mais tempo.

Esses dados apresentados no Boletim Macrofiscal são usados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado nesta quarta-feira (22) e traz previsões para a execução do Orçamento com base no desempenho das receitas e da previsão de gastos do governo. Com base no cumprimento da meta de déficit primário e do limite de gastos do novo arcabouço fiscal, o governo contingencia (bloqueia) alguns gastos não obrigatórios.