
BRASIL – Racismo estrutural: estudo aponta que 65,7% das pessoas mortas pela polícia em 2022 eram negras em oito estados brasileiros.
Os dados foram obtidos através do estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro, resultado de uma pesquisa realizada pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec). Este estudo se baseou em estatísticas fornecidas pelas polícias de oito estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, recolhidas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
Os números revelaram que a polícia baiana foi a mais letal em 2022, com 1.465 mortes registradas, das quais 1.121 eram de pessoas negras, representando 94,8% dos casos com cor/raça informada. Tal proporção é muito superior à parcela de negros na população total do estado, que é de 80,8%. Situação semelhante ocorreu nos demais estados analisados, onde a porcentagem de negros entre os mortos foi maior do que a porcentagem desta população na sociedade.
Diante desse cenário, o coordenador do CESeC, Pablo Nunes, ressalta que os dados evidenciam um problema estrutural de racismo e violência policial no Brasil. Ele destaca que a falta de transparência na divulgação dessas informações em estados como Maranhão, Ceará e Pará revela a falta de preocupação em tratar esse problema e elaborar políticas públicas para sua resolução.
Além disso, a pesquisadora Silvia Ramos ressalta que essa questão deve ser encarada como um problema político e social, enfatizando a importância de alocar recursos em políticas públicas que garantam a segurança de toda a população.
Diante destas revelações, houve posicionamentos das Secretarias de Segurança de São Paulo, Pará, Bahia e Rio de Janeiro. Todas destacaram ações e protocolos que visam à redução da letalidade policial e ao combate do racismo nas instituições. A Polícia Militar do Rio de Janeiro, por exemplo, afirmou que em seus cursos de formação e aperfeiçoamento inclui disciplinas que abordam a questão dos direitos humanos e a importância da diversidade racial na corporação.
Entretanto, o estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro deixa claro que a letalidade policial contra pessoas negras continua sendo um problema persistente e estrutural no Brasil. E, diante do crescente número de mortos pela polícia, é evidente a urgência de ações efetivas para mudar esse cenário.









