BRASIL – Trabalhadores sem-terra protestam após assassinato de agricultor em Pernambuco; crime gera tensão em acampamento na Paraíba.

Cerca de 300 trabalhadores sem-terra participaram de um protesto na última segunda-feira (13) contra o assassinato do agricultor Josimar Silva Pereira, morto a tiros no último dia 5, no acampamento São Francisco de Assis, em Vitório do Santo Antão, em Pernambuco.

O protesto aconteceu durante uma audiência com o Ministério Público de Pernambuco, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Usina JB, na sede da Escola Judicial de Pernambuco (Esmape), em Recife. O objetivo da reunião foi tratar de áreas improdutivas em Vitória de Santo Antão e Amaraji, resultando na definição da desapropriação das áreas localizadas em Amaraji, a 100 km de Recife, para assentar as famílias que estão no Acampamento Bondade.

Josimar, de 30 anos, foi morto enquanto se deslocava para o acampamento, onde trabalhava na irrigação do plantio de arroz orgânico, com disparos nas costas e na nuca. O autor dos disparos e a motivação para o crime ainda não foram identificados, mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) alega que está relacionado à luta pela terra.

Diante do assassinato, o MST recusou-se a participar da audiência em protesto pelo ocorrido, destacando que o acampamento Francisco de Assis é um dos mais antigos de Pernambuco, com cerca de 194 famílias lutando pela desapropriação do Engenho São Francisco, que pertence à Usina JB.

No mesmo contexto, dois assassinatos foram cometidos no acampamento Quilombo do Livramento Sitio Rancho Dantas, organizado pelo MST, em Princesa Isabel, na Paraíba. As vítimas, Ana Paula Costa Silva e Aldecy Viturino Barros, foram alvejadas a tiros em casa. Ana Paula, com 29 anos, e Aldecy, com 44 anos, estavam no acampamento quando foram abordados por dois homens em uma moto.

O clima no acampamento é tenso, e os sem-terra estão pedindo o deslocamento de policiais militares para garantir a segurança no local. Além disso, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano foi contatada para prestar auxílio às famílias das vítimas.

Em resumo, os protestos evidenciam a tensão e violência envolvidas nas lutas pela reforma agrária e a situação de vulnerabilidade em que vivem os trabalhadores rurais sem terra. As autoridades estaduais e federais foram acionadas para investigar os assassinatos, promover a regularização fundiária e buscar soluções pacíficas para os conflitos.