
BRASIL – “Favelas brasileiras têm disparidades econômicas internas, aponta estudo da UFF publicado na revista Cities”
Ao analisar 16 assentamentos informais em nove cidades de diferentes regiões do Brasil, os pesquisadores identificaram a existência de setores com concentração de famílias de renda mais alta, em contraste com áreas que reúnem pessoas de renda mais baixa. Além disso, a pesquisa apontou que nas áreas com renda mais alta das favelas, há maior percentual de pessoas brancas em comparação com as áreas mais pobres.
A disparidade na oferta de serviços públicos também foi evidenciada. Nas áreas de renda mais alta, os percentuais de coleta de lixo e de esgoto sanitário são significativamente maiores do que nas áreas de baixa renda das favelas. Essa realidade reflete a reprodução dos padrões de desigualdade observados em escalas mais amplas das cidades.
A estudiosa Camila explicou que, embora o estudo não tenha investigado as razões para a segregação dentro das favelas, é possível atribuir essa realidade a diversos fatores, como a valorização imobiliária em áreas mais urbanizadas. Locais com ruas largas, casas melhores, maior iluminação pública e saneamento são mais valorizados e, portanto, atraem pessoas com renda relativamente mais alta.
Além disso, foi observado que em áreas menos favorecidas dentro da própria comunidade, como os morros, os imóveis costumam ser mais desvalorizados. A pesquisadora também destacou a relação entre a topografia acidentada e a renda, indicando que as áreas mais altas e de difícil acesso tendem a abrigar pessoas de menor renda.
Camila enfatizou a importância de que a sociedade e o poder público reconheçam a existência da segregação nas favelas e considerem essa questão no planejamento de políticas públicas. Ela destacou que investir nas favelas sem considerar essas disparidades não é eficaz, dado que áreas mais precárias dentro das comunidades podem acabar sendo negligenciadas.
O estudo da UFF evidencia a complexidade e as disparidades que marcam as favelas brasileiras, destacando a necessidade de uma abordagem mais abrangente e sensível por parte das autoridades e da sociedade como um todo.









