BRASIL – Luta das mulheres com câncer de mama pela saúde e escolha do corpo é tema de pesquisa de antropóloga da Uerj.

Em uma pesquisa realizada ao longo de 20 anos, a antropóloga Waleska de Araújo Aureliano, professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), revela importantes achados sobre como as mulheres com câncer de mama lidam com o processo de adoecimento. Segundo a pesquisadora, essas mulheres lutam pela visibilidade, pelo direito de acesso à saúde de qualidade e pela escolha em reconstruir ou não o seio após a mastectomia.

Ao longo das últimas décadas, foi possível observar mudanças significativas na forma como a sociedade e os profissionais de saúde encaram o câncer de mama. Antes um tema tabu, a doença agora é abordada de maneira mais aberta e franca. O discurso médico evoluiu e deixou de ser fatalista, permitindo um diálogo mais esclarecedor e humanizado entre médicos e pacientes.

No entanto, apesar dos avanços, ainda há um forte estigma em torno do câncer de mama. A doença ainda é encarada como uma sentença de morte por muitas pessoas. Por isso, a professora ressalta a importância de mencionar o acesso adequado ao diagnóstico e tratamento na campanha Outubro Rosa. Sem as condições ideais, a disposição individual das mulheres em se cuidar não é suficiente.

A internet, principalmente as mídias sociais, desempenhou um papel fundamental em dar maior visibilidade ao câncer de mama. Isso afeta diretamente a forma como as mulheres lidam com o diagnóstico, uma vez que a narrativa do câncer agora traz esperança de cura e qualidade de vida. Isso faz com que as mulheres se sintam mais confortáveis para falar abertamente sobre o assunto e compartilhar suas experiências.

Atualmente, Waleska está dedicada a estudar trabalhos fotográficos e textos autobiográficos de mulheres que passaram pelo diagnóstico de câncer de mama. Ela nota que esses registros marcam uma mudança na forma como as mulheres se veem, passando de vítimas para mulheres empoderadas. Elas têm consciência das mudanças promovidas pelo diagnóstico e tratamento, além de perderem a vergonha em expor seus corpos e falar sobre a doença.

No entanto, a diversidade de experiências é grande. As transformações causadas pelo câncer de mama são influenciadas por fatores sociais, culturais, histórico de saúde, relacionamentos e inserção no mundo do trabalho. A pluralidade de modos de entender o câncer de mama pode reforçar padrões de representação do corpo feminino, o que pode ser um desafio para as mulheres após o tratamento.

Em resumo, a pesquisa de Waleska de Araújo Aureliano revela a importância da visibilidade do câncer de mama, do acesso adequado à saúde e do direito de escolha das mulheres. Ela destaca as mudanças na forma como a doença é encarada, mas ressalta que ainda há muito a ser feito para combater o estigma e garantir melhores condições para todas as mulheres enfrentarem o câncer de mama.