
BRASIL – Frequentadora do cemitério São Luiz, em São Paulo, nota melhorias na zeladoria, mas tem ressalvas sobre a época do dia de Finados.
No início deste ano, a prefeitura de São Paulo começou a transferir a administração de todos os cemitérios da cidade para a iniciativa privada. Foi concedido um período de 25 anos para quatro consórcios privados, vencedores da licitação, assumirem a gestão, manutenção, exploração, revitalização e expansão dos recintos. Essa mudança teve como objetivo melhorar a qualidade dos serviços prestados nos cemitérios e garantir um ambiente mais adequado para visitantes e familiares enlutados.
Antes da concessão à iniciativa privada, o cemitério São Luiz sofria com problemas de infraestrutura. Segundo dona Graça, havia muito mato e o cheiro era forte, principalmente durante o calor. Além disso, as covas rasas causavam o deslocamento de ossos quando chovia muito. Ela ressalta que a situação melhorou atualmente, mas continua preocupada com a durabilidade dessas melhorias.
Dona Graça tem dez parentes enterrados no cemitério São Luiz, incluindo seu marido, que faleceu há 15 anos. Para ela, acredita que os entes queridos que estão lá dentro estão mais felizes do que aqueles que estão do lado de fora. Ela faz questão de visitar o cemitério regularmente e acender velas em memória deles.
Em junho deste ano, uma auditoria do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) encontrou problemas nos cemitérios privatizados da capital paulista. Entre eles estavam ossos não ensacados e sacos de ossos sem identificação. Também foram encontrados jazigos e túmulos abertos em 13 dos 22 locais vistoriados, o que representava risco de acidentes para os visitantes. Além disso, em dois cemitérios não foi localizado nenhum vigilante no momento da vistoria.
A falta de cercas elétricas, concertinas e câmeras de segurança também foi identificada em diversos cemitérios. Essas deficiências levaram os conselheiros do TCM a aprovarem um alerta para a prefeitura em setembro, apontando que o contrato de concessão dos cemitérios não estava sendo respeitado e o serviço estava apresentando falhas. Entre as falhas destacadas estava a falta de cumprimento da gratuidade de sepultamento para doadores de órgãos, que é prevista por lei.
A administração privada dos cemitérios de São Paulo trouxe melhorias visíveis, como a limpeza e a ampliação de covas no cemitério São Luiz. No entanto, é necessário garantir que essas melhorias sejam constantes ao longo do ano e que os problemas apontados pela auditoria sejam solucionados. Os familiares e visitantes dos cemitérios merecem um ambiente digno e respeitoso para homenagear seus entes queridos.









