BRASIL – Crianças em risco: famílias vulneráveis têm maior probabilidade de desenvolvimento infantil aquém do esperado, revela projeto Pipas.

Crianças beneficiárias de programas de transferência de renda, famílias em insegurança alimentar e mães com menor grau de escolaridade estão em risco de desenvolvimento aquém do esperado, de acordo com o Projeto Pipas – Primeira Infância Para Adultos Saudáveis, divulgado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Essa pesquisa, que utilizou como amostra mais de 13 mil crianças menores de 5 anos em 13 capitais do Brasil, revela a influência das condições socioeconômicas no desenvolvimento infantil.

Segundo a coordenadora de Saúde da Criança e do Adolescente, Sônia Venâncio, esses resultados podem auxiliar no aprimoramento das ações nas áreas da saúde, educação e assistência social, com o objetivo de melhorar o desenvolvimento infantil. Além disso, ressalta a importância de combater as desigualdades sociais que afetam as crianças.

A pesquisa aponta que 10,1% das crianças menores de 3 anos e 12,8% das maiores de 3 anos apresentam risco de não alcançar seu pleno potencial de desenvolvimento. Isso reforça a necessidade de priorizar as crianças em situação de vulnerabilidade.

Além disso, o estudo revela que 14,8% das crianças não recebem atendimento de uma equipe de saúde na primeira semana de vida, o que vai contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Essa falta de atendimento pode impactar negativamente nas taxas de amamentação e na redução da mortalidade infantil.

A pesquisa também destaca a importância da nutrição adequada, mostrando que apenas 57,8% das crianças menores de 6 meses estão em aleitamento materno exclusivo. Essa prática é recomendada pela OMS e pelo Ministério da Saúde, devido aos benefícios para o desenvolvimento cognitivo e global da criança.

Em relação à aprendizagem, os números revelam que 24% das crianças menores de 3 anos não têm nenhum livro infantil ou de figuras em sua casa. Isso ressalta a necessidade de orientar as famílias sobre a importância desses materiais no desenvolvimento infantil.

Outro dado preocupante é que 33,2% das crianças menores de 3 anos passam mais de duas horas diárias assistindo a programas ou jogando em dispositivos eletrônicos, como televisão, smartphone ou tablet. Essa exposição excessiva às telas pode prejudicar o desenvolvimento infantil.

O estudo também indica que 33% e 35% dos cuidadores de crianças menores de 3 anos consideram que gritar ou dar palmadas são medidas necessárias para educá-las. Essas disciplinas punitivas podem ter efeitos negativos no desenvolvimento socioemocional das crianças.

Por fim, a pesquisa mostra que 75,6% das crianças menores de 3 anos são envolvidas por um membro da família em pelo menos quatro atividades de estímulo nos últimos três dias. No entanto, 42,8% dos cuidadores relataram nunca ter recebido informações sobre o desenvolvimento infantil por parte de profissionais da saúde, educação ou assistência social.

Diante desses resultados, fica claro que a promoção do desenvolvimento infantil adequado requer ações intersetoriais, envolvendo diferentes áreas como saúde, educação e assistência social. É fundamental garantir o acesso a serviços de saúde, promover a nutrição adequada, estimular a aprendizagem, limitar o tempo de tela e conscientizar os cuidadores sobre práticas educativas positivas. Somente assim será possível garantir um futuro saudável e promissor para as crianças do país.