BRASIL – Professor da USP alerta para a urgência de combater grupos de ódio nas redes sociais e propõe regulamentação das plataformas.

No combate aos grupos que espalham ódio nas redes sociais, é necessário agir com urgência, de acordo com o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara. Ele alerta para a existência de grupos articulados que produzem conteúdos racistas, misóginos e lgbtfóbicos, com conexões com o extremismo neonazista e fascista. Um exemplo da influência desses grupos é o caso ocorrido nesta segunda-feira (23), que resultou na morte de uma aluna e feriu três pessoas na zona leste de São Paulo.

Diante desta situação, o professor defende a adoção de medidas para regular as redes sociais e coibir a disseminação de mensagens violentas. Ele ressalta a importância de uma atuação mais presente e contundente junto às plataformas, exigindo regulamentações. Além disso, uma gestão democrática das escolas, com a participação da comunidade escolar, é apontada como uma medida necessária para reduzir a violência. A capacidade de prevenir conflitos e criar um ambiente escolar saudável é fundamental.

Cara destaca que a formação da identidade é um dos principais conflitos que levam à violência extrema. A exclusão do outro acaba sendo planejada quando há tensões relacionadas à formação da identidade, impactada pela sociedade violenta em que vivemos. O pesquisador também argumenta que medidas como detectores de metais e câmeras de vigilância não são eficazes para enfrentar o problema, uma vez que esbarram em questões práticas do dia a dia escolar.

A pesquisadora Cléo Garcia, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ressalta a importância de discutir e debater questões como o bullying e os discursos de ódio de forma mais frequente nas escolas. Ela defende que esses temas sejam inseridos no currículo escolar para que os alunos possam desenvolver um olhar crítico sobre eles. Além disso, destaca a falta de recursos e profissionais de saúde mental e assistência social para atender as demandas vindas das escolas, ressaltando a importância de uma rede de proteção adequada.

Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Fábio de Moraes, alerta para o processo de precarização e terceirização na rede estadual de ensino, que dificulta o estabelecimento de vínculos entre os profissionais e a comunidade escolar.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, após visitar a escola onde ocorreu o ataque, menciona que neste ano, a atuação conjunta das secretarias de Educação e Segurança Pública conseguiu evitar 165 atentados a escolas. No entanto, diante do novo atentado, ele afirma que será feita uma revisão das ações tomadas até o momento, com o objetivo de evitar novas ocorrências. O governador destaca a necessidade de tornar a escola um local seguro e de convivência, combatendo o bullying e a homofobia. Nesse sentido, foi contratado um número maior de psicólogos para atuar nas escolas do estado.