
BRASIL – Ataques criminosos paralisam comércio, escolas e trânsito na zona oeste do Rio de Janeiro
Catita Leal Cesario, moradora do bairro Santa Cruz e funcionária da Escola Municipal Bertha Lutz, em Guaratiba, conta que a primeira preocupação foi avisar os pais e organizar a saída dos alunos. No entanto, o retorno para casa não foi nada fácil. A única solução encontrada foi caminhar, o que levou cerca de uma hora. Segundo Catita, foi necessário andar rápido em alguns trechos, pois havia partes desertas e pouco policiamento. Durante o trajeto, ela e uma colega passaram por dois ônibus incendiados.
Os ataques criminosos ocorreram após a morte de um miliciano durante uma operação policial. Ao todo, 35 ônibus e um trem foram queimados, o que bloqueou diversas vias. Em resposta, algumas linhas do BRT operadas pela empresa pública Mobi-Rio foram paralisadas por questões de segurança, assim como algumas estações de trem da concessionária Supervia.
Além dos congestionamentos, falta de transporte público e comércio fechado, registros nas redes sociais mostram outras dificuldades enfrentadas pelos moradores. Há relatos de vans cobrando preços abusivos, motoristas recusando corridas e até mesmo vídeos de moradores voltando para casa em caminhões cegonha.
Diante da situação caótica, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro informou que os incêndios afetavam os bairros de Guaratiba, Paciência, Cosmos, Santa Cruz, Inhoaíba e Campo Grande. Novos ataques foram registrados posteriormente em outros bairros. Por volta das 18h40, foi declarado estágio de atenção, o que levou ao fechamento de dezenas de escolas. Algumas delas já anunciaram que não abrirão as portas nesta terça-feira (24).
Universidades da região também adotaram medidas de segurança. A UFRRJ cancelou as avaliações acadêmicas e passará a realizar as aulas de forma remota. Já a UFRJ informou que as atividades estão mantidas, mas os estudantes e servidores moradores das áreas afetadas terão suas ausências abonadas.
O governador Cláudio Castro admitiu que as forças de segurança foram pegas de surpresa pelos ataques e declarou que há um plano de contingência em andamento para evitar novos eventos semelhantes. Até o momento, foram realizadas 12 prisões de suspeitos de envolvimento nos incêndios.
O prefeito Eduardo Paes também se manifestou sobre os ataques nas redes sociais. Ele criticou a ação dos milicianos que queimaram ônibus pagos com dinheiro público e afirmou que os únicos prejudicados são os moradores das áreas que eles dizem proteger. Paes cobrou uma resposta firme das forças policiais e apelou ao Governo do Estado e ao Ministério da Justiça para que atuem para evitar a repetição de tais atos.









