
BRASIL – Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita: Conscientização sobre riscos, prevenção e importância do diagnóstico precoce.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se manifestar de diversas formas e estágios diferentes – sífilis primária, secundária, latente e terciária. Nos estágios primário e secundário da infecção, o risco de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, bem como durante a gestação ou o parto, da mãe para o bebê.
Na fase primária da sífilis, surge uma ferida, geralmente única, no local onde a bactéria entrou no organismo, como pênis, vulva, vagina, colo do útero, ânus, boca ou outras regiões da pele. Essa lesão é chamada de cancro duro e é rica em bactérias. Geralmente, não causa dor, coceira, ardores ou pus, podendo ser acompanhada por ínguas (caroços) na virilha. A ferida desaparece espontaneamente, mesmo sem tratamento.
Já na sífilis secundária, os sintomas aparecem entre 6 semanas e 6 meses após o surgimento e cicatrização da ferida inicial. Podem surgir manchas pelo corpo, particularmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões também são ricas em bactérias. Também pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas desaparecem após algumas semanas, sem necessidade de tratamento, o que pode dar a falsa impressão de cura.
Na fase assintomática, os sinais e sintomas não se manifestam e a doença se divide em latente recente (até 1 ano de infecção) e latente tardia (mais de 1 ano de infecção). A duração dessa fase é variável e pode ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária da sífilis.
A sífilis terciária pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção, predominando lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, que podem levar à morte.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, de janeiro a junho de 2022, o Brasil registrou 122 mil novos casos de sífilis. Nesse período, foram identificados 79,5 mil casos de sífilis adquirida, 31 mil casos em gestantes e 12 mil ocorrências de sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê.
Entre 2016 e 2021, houve um aumento considerável no número de casos. Em 2016, foram registrados 91.506 casos, com taxa de detecção de 44,6 para cada 1.000 habitantes. Já em 2021, foram 167.523 casos, com taxa de detecção de 78,5 para cada 1.000 habitantes. O número de grávidas infectadas aumentou de 38.305 para 74.095, com a taxa de detecção passando de 13,4 para 27,1. A sífilis congênita subiu de 21.547 casos para 27.019, com a taxa de detecção aumentando de 7,5 para 9,9 por cada 1.000 habitantes.
Com relação à sífilis congênita, o vice-presidente da Comissão de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Regis Kreitchmann, alerta para a necessidade de atenção, pois os sintomas podem se confundir com os de outras doenças, passando despercebidos pelas mulheres.
Durante a gravidez, a sífilis pode ser transmitida para o feto, já que a bactéria atravessa a placenta, podendo causar perdas ou lesões fetais irreversíveis. Os impactos no feto podem resultar em aborto ou morte. Sem tratamento, o bebê pode nascer com sífilis congênita, o que demanda internação para realização de exames e administração de antibióticos como parte do tratamento da doença.
Mariana (nome fictício), de 23 anos de idade, descobriu que tinha sífilis na maternidade, ao dar à luz a uma menina. Poucos dias após o nascimento da filha, os exames revelaram que ambas estavam com a doença. O tratamento foi iniciado e, segundo Mariana, após 12 dias no hospital, constatou-se que o tratamento não é fácil e é doloroso, principalmente para a criança.
Mariana aconselha as futuras mães a cuidarem de si mesmas e a fazerem o pré-natal regularmente. Ela destaca a importância de realizar todos os exames, pois muitas mulheres não acreditam na necessidade e acham que um exame de sangue adicional representa um gasto desnecessário. Mariana estava bem e não sentia nada diferente, sua filha nasceu saudável, mas o teste revelou o resultado positivo para a doença.
De acordo com a especialista em saúde da mulher e professora de Saúde da Mulher da Faculdade Anhanguera, Karina Lopes Capi, o aumento nos casos de sífilis em 2022 pode estar relacionado à diminuição das notificações devido à pandemia de Covid-19, mas não se pode afirmar que se trata de uma epidemia, já que os dados abrangem apenas os primeiros 6 meses do ano.
Karina reforça que a prevenção da doença pode ser feita através do uso de preservativos nas relações sexuais. Atualmente, existem testes rápidos disponíveis nas unidades básicas de saúde para detectar a infecção. Em caso de resultado positivo, o tratamento é realizado com penicilina, dependendo do estágio da doença. Durante a gestação, o tratamento envolve o uso do medicamento por via intramuscular tanto para a mãe quanto para o bebê, sendo que o número de doses varia de acordo com o tempo desde a infecção, podendo ser uma a três aplicações. Além disso, o parceiro sexual também deve receber o tratamento prescrito ou, se preferir, pode optar por um antibiótico oral. É fundamental seguir o tratamento recomendado e realizar exames de sangue para verificar a eficácia da terapia.
Karina ressalta que nem sempre a criança apresenta sintomas ao nascer, mas quando se tem uma mãe diagnosticada com sífilis, é importante acompanhá-la de perto, pois os sintomas e manifestações clínicas podem surgir nos primeiros 3 meses e é necessário monitorar a criança de perto até pelo menos os 2 anos de idade.









