
BRASIL – Masp inaugura exposições sobre histórias indígenas, tapeçaria diné/navajo e saberes tupinambás, trazendo diversidade cultural e reflexão sobre meio ambiente e demarcação de territórios.
A mostra é uma forma de dar visibilidade às realidades pouco conhecidas dos povos indígenas, tanto no Brasil como em outros países. As obras retratam as cosmologias, a história e os desafios enfrentados por esses povos. “São muitas histórias e muitas formas de produzir arte porque, obviamente, essas diversidades históricas e sociolinguísticas repercutem nas artes. Os artistas indígenas vão produzir artes que dialogam com seus povos”, afirma Edson Kayapó, curador de artes indígenas no Masp e professor de história indígena no Instituto Federal da Bahia.
Além disso, a exposição também aborda temas atuais e políticos, como a preservação do meio ambiente e as mudanças climáticas. As obras indígenas são posicionadas politicamente e refletem os pertencimentos, as identidades étnico-raciais e as cosmologias desses povos. A mostra destaca a importância da demarcação de territórios indígenas não apenas para a proteção do meio ambiente, mas também para a preservação das culturas indígenas.
A exposição foi dividida em oito núcleos, sendo o primeiro deles dedicado ao ativismo, que reúne trabalhos de diferentes movimentos sociais indígenas. Um dos destaques é um vídeo com o discurso de Ailton Krenak na Assembleia Constituinte de 1987, onde ele defende os direitos dos povos indígenas.
Uma segunda mostra em destaque é a individual da artista diné/navajo Melissa Cody, que apresenta 26 obras têxteis produzidas no tradicional tear navajo. A exposição intitulada “Melissa Cody: céus tramados” traz símbolos e padrões tradicionais da tapeçaria navajo, além de referências pessoais da artista. A tecelagem navajo é considerada uma tecnologia transmitida às mulheres pelo sagrado Na’ashjéii Asdzáá, conhecida como a Mulher-Aranha. Melissa Cody é herdeira desse conhecimento ancestral e sua obra reflete tanto as influências históricas da tecelagem navajo quanto as trocas culturais e migrações forçadas a que o povo navajo foi submetido ao longo da história.
Uma terceira exposição em vídeo apresenta o trabalho da artista Glicéria Tupinambá, que realiza um resgate e reconexão com os saberes de sua aldeia na Bahia. Um dos destaques é o processo de confecção de mantos tupinambás, que remetem aos rituais e tradições dessa cultura. A mostra é uma oportunidade de conhecer o trabalho de artista, ativista e educadora indígena, que busca resgatar a memória e a resistência dos povos indígenas.
As exposições estarão em cartaz no Masp até fevereiro de 2023 e são uma oportunidade única para conhecer e valorizar as histórias, as culturas e as expressões artísticas dos povos indígenas. É uma chance de ampliar nossa compreensão e reconhecimento da diversidade cultural presente em nosso país e no mundo.









