BRASIL – Ataque devastador de Israel em Gaza deixa distrito em ruínas e igreja cristã ortodoxa atingida, evidenciando iminência de invasão.

Nesta sexta-feira (20), um ataque devastador de Israel deixou um distrito do Norte de Gaza em ruínas. O governo israelense deu às famílias apenas meia hora de aviso para que pudessem fugir antes do bombardeio. O ataque também atingiu uma igreja cristã ortodoxa, onde outras pessoas estavam buscando abrigo. Essa ação foi interpretada como um indicativo de que uma invasão a Gaza estava iminente.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após retornar de uma viagem a Israel para reafirmar seu apoio ao país, fez um discurso televisionado em Washington, pedindo autorização aos norte-americanos para gastar bilhões de dólares adicionais a fim de ajudar Israel a combater o Hamas, que, segundo ele, busca “aniquilar” a democracia de Israel.

Israel prometeu erradicar o grupo islâmico Hamas, que governa Gaza, após seus militantes romperem a barreira que cerca a Faixa de Gaza e atacarem cidades e assentamentos israelenses em outubro. Esses ataques resultaram na morte de 1,4 mil pessoas, principalmente civis. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, declarou às tropas na fronteira com Gaza que o comando para a invasão estava chegando.

Desde então, Israel tem realizado uma série de ataques aéreos em Gaza e impôs um bloqueio total aos 2,3 milhões de habitantes do território, impedindo até mesmo a chegada de alimentos, combustível e suprimentos médicos. As autoridades palestinas informam que desde outubro, 3.785 palestinos foram mortos, incluindo mais de 1,5 mil crianças. Mais de um milhão de pessoas ficaram desabrigadas de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Israel ordenou a evacuação de todos os civis da metade Norte da Faixa de Gaza, incluindo a Cidade de Gaza. No entanto, muitas pessoas se recusaram a deixar suas casas, alegando que temiam perder tudo e não tinham um local seguro para ir, já que as áreas do Sul também estão sendo atacadas.

O Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém denunciou que forças israelenses atingiram a Igreja de São Porfírio em Gaza, onde centenas de cristãos e muçulmanos buscaram abrigo. Um vídeo do local mostrou um menino ferido sendo resgatado dos escombros durante a noite. Segundo as autoridades palestinas, 18 cristãos palestinos foram mortos, porém, não há uma estimativa total de mortos. O ataque a igrejas usadas como abrigo foi considerado um “crime de guerra” pelo Patriarcado Ortodoxo.

Em Zahra, uma cidade ao Norte de Gaza, os moradores relataram que todo o seu distrito, que inclui cerca de 25 prédios de apartamentos, foi reduzido a escombros. Eles receberam mensagens de alerta em seus celulares seguidas por um pequeno ataque de drone que reforçou a mensagem. Meia hora após o aviso, aviões de guerra F-16 destruíram os prédios.

O escritório de assuntos humanitários da ONU informou que mais de 140 mil casas em Gaza foram danificadas, sendo que quase 13 mil foram completamente destruídas.

O conflito também se espalhou para outras duas frentes – a Cisjordânia e a fronteira norte com o Líbano. Na Cisjordânia, as tropas israelenses invadiram o campo de refugiados de Nur Shams, perto de Tulkarm, resultando na morte de 13 pessoas, incluindo cinco crianças. Na fronteira com o Líbano, houve confrontos mortais entre Israel e o movimento Hezbollah. O Pentágono informou que um navio de guerra dos EUA interceptou três mísseis de cruzeiro e vários drones lançados pelo movimento Houthi no Iêmen, possivelmente em direção a Israel.

Embora a maioria dos líderes ocidentais tenha dado apoio à campanha de Israel contra o Hamas, há um crescente desconforto com a situação dos civis em Gaza, que ainda não receberam a ajuda prometida. Israel afirmou que não permitirá que ajuda de seu próprio território chegue a Gaza até que mais de 200 reféns capturados pelo Hamas sejam libertados. Biden garantiu que Israel permitirá a entrada de ajuda por meio do Egito, desde que seja monitorada para evitar que chegue ao Hamas. No entanto, até o momento, os caminhões de ajuda continuam parados do lado egípcio da passagem.