
BRASIL – Relatório final da CPMI dos atos golpistas será apresentado na terça-feira com depoimentos polêmicos e acusações de parcialidade.
Dentre os depoimentos ouvidos pela comissão, destacam-se também o do empresário Argino Bedin, conhecido como Pai da Soja em Mato Grosso, acusado de financiar os atos; do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, coronel Mauro Cesar Cid, e do coronel Jean Lawand, que trocaram mensagens defendendo intervenção militar após as eleições de 2022; e do sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, que negou acusações de fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Bolsonaro, participação nos atos de 8 de janeiro ou irregularidades financeiras.
Segundo Eliziane, o militar movimentou mais de R$ 3 milhões em sua conta entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022. Outros militares que prestaram depoimento foram os generais Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Gonçalves Dias, que comandou o GSI no dia dos ataques às sedes dos Três Poderes. O general Heleno negou ter participado de acampamentos golpistas ou reuniões para combinar golpe de Estado, enquanto o general G. Dias admitiu ter feito uma avaliação errada dos acontecimentos e negou negligência no desmonte do acampamento em frente ao quartel general do Exército.
Durante o depoimento do hacker Walter Delgatti Netto, ele afirmou ter invadido os sistemas do Judiciário brasileiro a pedido da deputada federal Carla Zambelli, que nega as acusações. Delgatti alegou também que, a pedido de Bolsonaro, orientou os militares das Forças Armadas na elaboração de um relatório sobre as urnas eletrônicas. Ele afirmou que Bolsonaro ofereceu indulto presidencial em troca da invasão das urnas eletrônicas.
Após o depoimento de Delgatti, a comissão decidiu quebrar sigilos bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos da deputada federal Carla Zambelli, do seu irmão Bruno Zambelli, deputado estadual por São Paulo, e do então assessor parlamentar da deputada, Renan César Silva Goulart.
A cabo da Polícia Militar do Distrito Federal, Marcela da Silva Morais Pinno, que foi agredida durante os atos de 8 de janeiro, afirmou que nunca tinha visto uma manifestação tão violenta e agressiva como aquela.
A CPMI enfrentou obstáculos ao longo de suas investigações, como a suspensão das quebras de sigilos do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques pelo ministro do STF Nunes Marques. A relatora criticou a decisão, afirmando que ela inviabilizava as investigações sobre a atuação do ex-diretor da PRF. A PRF sob a gestão de Vasques é acusada de tentar interferir na eleição presidencial de 2022.
O relatório final da CPMI ainda não foi protocolado pela senadora Eliziane Gama. No entanto, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) apresentou um voto em separado acusando a relatora de parcialidade nas investigações e pedindo a investigação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, por condutas como omissão imprópria e obstrução de justiça. O senador também pede a abertura de inquérito contra o ex-ministro-chefe do GSI, general G. Dias pelos mesmos crimes.









