
BRASIL – Brasileiros repatriados de Israel relatam tensão vivida em meio aos ataques do Hamas
Nathália conta que seu filho de dois anos, Uriel, achava que as sirenes que tocavam eram de ambulâncias passando e que o bunker, que era um local seguro para se proteger dos foguetes lançados pelo grupo extremista Hamas, era apenas um lugar diferente para brincar. Sua situação se intensificou nos últimos dias, quando ela teve que levar seus dois filhos, Uriel e Benjamim de cinco anos, para o bunker várias vezes. Ela relembra a dificuldade de descer cinco andares de escadas com as crianças todas as vezes que a sirene tocava.
Os ataques que Nathália e sua família estavam enfrentando foram iniciados pelo Hamas no último sábado (7), o que desencadeou respostas de Israel. Milhares de israelenses e palestinos morreram desde então. A situação deixou Nathália insegura e preocupada com a segurança de seus filhos, o que a levou a pedir ajuda ao governo brasileiro e retornar ao Rio de Janeiro, onde mora sua família.
A fotógrafa Luíza Santos também estava entre os repatriados. Ela chegou ao Brasil grávida e deixou seu marido, um engenheiro israelense, para trás. Luíza estava emocionada com tudo o que aconteceu nos últimos dias e com o medo que sentiu. Ela agradeceu ao governo brasileiro pela acolhida e transporte.
A pesquisadora Priscila Grimberg, por sua vez, deixou o aeroporto com sensações mistas. Ela estava aliviada por reencontrar sua filha de 15 anos, que havia passado dois anos estudando em Israel, mas também sentia uma lacuna por sua filha mais velha, Miriam, de 23 anos, ter escolhido ficar em Israel para servir como combatente no exército israelense.
A Operação Voltando em Paz repatriou um total de 701 brasileiros desde quarta-feira. Além disso, a operação também trouxe oito animais de estimação de volta ao Brasil, incluindo os cachorros de Luíza Santos.
Para esses brasileiros, a decisão de retornar ao Brasil foi difícil, uma vez que muitos deles são judeus e têm uma forte ligação religiosa e cultural com Israel. No entanto, a preocupação com a segurança de suas famílias e a intensificação dos confrontos levaram-nos a buscar abrigo em seu país de origem. Agora, eles enfrentarão o desafio de recomeçar suas vidas no Brasil, deixando para trás suas casas, pertences e, para alguns, entes queridos que escolheram permanecer em Israel para lutar pelo estado.









